sábado, 16 de julho de 2011

Vamos conhecer hoje a História dos grandes Mestre da Pintura em Tela, isso se torna muito interessante.
Pois, devemos nos divertir e adquirir cultura.

Pintor italiano, foi o maior retratista de seu tempo; nenhum artista antes dele havia capturado de maneira tão convincente a vivacidade das feições e o espírito individual.
Leonardo Da Vinci resumiu o ideal renascentista do polímata - artista, contador de anedotas, músico, cientista, matemático e engenheiro -, um homem de muitos talentos, com uma insaciável curiosidade e sede de conhecimento. Nasceu em Anchiano, um vilarejo perto da cidadezinha de Vinci, em 15 de abril de 1452. Filho de um tabelião e de uma camponesa, Catarina, com quem o pai tinha uma ligação um tanto irregular. Leonardo cresceu no campo, onde desenvolveu um grande amor pela natureza. Quando menino pediram-lhe que desenhasse um escudo para um amigo do pai. Dizem que ele fez um bestiário extraordinário, baseado na observação real de lagartos, grilos, cobras, borboletas, gafanhotos e morcegos. Segundo os registros, foi nesta ocasião que ele revelou seu fascínio pelas formas móveis, retorcidas e vivas. Está registrado também que ele gostava de cavalos e os conhecia profundamente. Eles aparecem com tanto destaque nos seus trabalhos da maturidade que isto parece ser bastante provável. Algum tempo antes de 1469, Leonardo foi com pai morar em Florença e, em 1472, foi aceito como membro da guilda de São Lucas, a guilda dos pintores. Seu mestre foi Andrea Verrocchio, e os registros mostram que ele continuava empregado na oficina de Verrocchio, na vila dell'Agnolo, em 1476.
É difícil avaliar a influência de Verrocchio sobre o jovem Leonardo. As formas curvas e retorcidas usadas pelo mestre certamente encontraram eco no seu aluno. As pinturas de Verrocchio possuem uma certa grandiosidade, mas não despertam realmente a imaginação, enquanto que as esculturas são mais fortes e parecem ter influenciado mais Leonardo. Não existem provas consistentes de quando Leonardo foi para Milão, mas a primeira encomenda lá, documentada, é de 1483. O motivo da sua ida para aquela cidade não está claro; mas ele pode ter se sentido atraído pela estimulante atmosfera da corte dos Sforza, com muitos médicos, cientistas, engenheiros militares e matemáticos. Havia outros motivos para ele deixar Florença: os altos impostos faziam com que alguns mecenas nunca pagassem pelo trabalho que encomendavam; a competição profissional era extremamente dura; e a guerra e a peste eram fortes ameaças físicas. Leonardo se estabeleceu na corte do Duque Lodovico, onde, além de pintar, seu protetor exigia seus serviços para diferentes tarefas - supervisionar pagens e instalar "aquecimento central", por exemplo. Este tipo de papel deve ter agradado imensamente tanto ao caráter quanto ao intelecto de Leonardo. De fato, numa carta, ele se descreve como engenheiro e, só de passagem, faz uma referência às suas pinturas. Durante este período também pintou retratos, executou uma importante encomenda, A Última ceia, e terminou grande parte do trabalho preliminar para o monumento aos Sforza, que nunca chegou a ser fundido. Em 2 de outubro de 1498, Leonardo recebeu um propriedade fora da Porta Vercellina de Milão e foi indicado ingenere camerale. Esperava-se uma invasão dos franceses e ele ficou muito ocupado planejando a defesa da cidade, embora dois outros grandes trabalhos datem deste mesmo período. Colaborou também com o matemático Luca Pacioli na Divina Proprotione - os dois homens tinham ficado muito amigos desde a chegada de Pacioli a Milão.
Os franceses invadiram Milão em 1499 e Lodovico foi preso e enviado para França. Leonardo, junto com Luca Pacioli, deixou Milão depois de 18 anos com os Sforza. Provavelmente foi direto para Mântua, onde fez o retrato de Isabella D'Este. Em 24 de abril de 1500, ele voltou para Florença e encontrou uma cidade diferente da que tinha deixado cerca de 20 anos antes, passando por uma onda de revitalização do interesse religioso e com idéias republicanas na política. Leonardo conquistou quase de imediato o agrado do público, após exibir o seu cartão da Virgem e Sant'Ana planejado para ser um retábulo. Nesta época, Michelangelo tinha já assegurada a sua reputação em Florença. Estes dois gigantes nunca gostaram um do outro e Leonardo não fazia segredo do fato de considerar a escultura inferior à pintura, mas a fama de Michelangelo era um fator de atrito. Novamente, Leonardo trabalhou como engenheiro; drenando pântanos, desenhando mapas e projetando um sistema de canais. Em Urbino, conheceu Nicolò Machiavelli, e este encontro levaria a uma íntima associação e a sua mais importante encomenda. Enquanto isso, produzia magníficos desenhos a pastel vermelho de Cesare Borgia. Em 1503, entrou nos seus três anos de maior produção como pintor. Seu quadro mais famoso, Monalisa, com seu sorriso enigmático, pode ter sido pintado nesta época. Grande parte dos trabalhos de Leonardo em Florença, feitos no período de 1503 e 1507, se perdeu, inclusive Leda. Achava a mecânica da pintura uma coisa entediante e preferiu concentrar suas habilidades imaginativas no desenho e no planejamento de suas composições. Como resultado da sua florescente associação com Machiavelli, Leonardo recebeu uma encomenda para pintar um afresco na Sala del Gran Consiglio do Palazzo Vecchio. Começou trabalhar no cartão para o afresco - a Batalha de Anghiari - em outubro de 1503, mas parece que o progresso foi lento. Leonardo terminou seu cartão no final de 1504 e começou a pintar usando uma técnica incomum e possivelmente incáustica. A tinta secou de forma desigual e a pintura não deu certo. O aresco ficou inacabado mas, depois, foi feita uma moldura especial para a parte terminada e há quem a considere a melhor coisa a se ver numa visita a Florença . Posteriormente foi repintada por Vasari. Durante o ano de 1507, Leonardo trabalhou para o Rei da França, embora seu mecenas imediato fosse Charles d'Amboise , lord de Chaumant e governador de Milão. De muitas formas, d'Amboise reinstalou as glórias da corte dos Sforza. Leonardo estava no seu elemento, trabalhando como pintor, engenheiro e conselheiro artístico em geral. D'Amboise morreu em 1511, mas Leonardo permaneceu em Milão até 24 de setembro de 1513. Depois foi para Roma, levado, como tantos, por Giovani de Medici que havia se tornado recentemente Papa Leão X. Leonardo se instalou no Belvedere do Vaticano, mas a agitação provocada pelos principais artistas do país e suas comitivas, vivendo todos juntos, não lhe agradava. a incontestável posição de Michelangelo em Roma, resultante do seu trabalho na Capela Sistina, também lhe era intragável. Talvez a fascinação obsessiva de Leonardo pelo poder da água e os seus diversos esboços para o Dilúvio reflitam uma turbulência mental e espiritual. O último quadro pintado por Leonardo que sobreviveu é, quase certamente, São João e deve ter sido feito em 1514-1515. Em março de 1516, Leonardo aceitou o convite de Francisco I para morar na França e ganhou uma propriedade rural perto de Cloux. Em 10 de outubro de 1517, recebeu a visita do Cardeal Luís de Aragão, cujo secretário escreveu um relatório do encontro. Ele menciona três quadros, dois que podemos identificar como sendo Virgem e o Menino com Sant'Ana e São João, o terceiro é um retrato de uma dama florentina. Ele também afirma que Leonardo estava sofrendo de um tipo de paralisia na mão direita. Leonardo era canhoto, mas esta observação pode ter, na verdade, se referido à sua mão "de trabalho", significando a esquerda. Observando-se os manuscritos, fica óbvio que esta paralisia não impediu Leonardo de usar os dedos, porque sua letra estava clara e firme como sempre. Alguns desenhos, entretanto, mostram uma falta de firmeza e precisão que sugerem que o problema possa ter afetado o movimento do braço.
Em 2 de maio de 1519, Leonardo morreu em Cloux. Deixou os desenhos e manuscritos para o amigo fiel Francesco Melzi, enquanto viveu, Melzi guardou as obras com todo carinho, mas cometeu a insensatez de não incluir no seu testamento nenhuma cláusula que garantisse a continuidade deste cuidado. O filho, Orazio, que não tinha o mínimo interesse por artes ou ciências, deixou que esta inestimável coleção se deteriorasse, se perdesse, fosse roubada ou vandalizada de uma maneira que só se pode descrever como criminosa.
 





Picassso

Artes Pásticas
Pintor espanhol naturalizado francês. Considerado por muitos o maior artista do século 20, era também escultor, artista gráfico e ceramista.
Pablo Picasso, o artista mais famoso e também o mais versátil do século 20, nasceu em Málaga, no sul da Espanha, em 25 de Outubro de 1881. O pai era professor de desenho, portanto o óbvio talento de Picasso foi reconhecido desde cedo e, aos quinze anos, tinha já o seu próprio atelier.
Após um falso início como estudante de arte em Madrid e um período de Boémia em Barcelona, Picasso fez a sua primeira viagem a Paris em Outubro de 1900. A cidade continuava a ser a capital artística da Europa e foi lar permanente do artista desde Abril de 1904, quando ele se mudou para o prédio apelidado de Bateau-Lavoir (Barco-Lavanderia), em Montmartre, a partir daí o novo centro da arte e da literatura vanguardista. Durante este período, o trabalho de Picasso foi relativamente convencional, passando de uma Fase Azul melancólica (1901-05) para a Fase Rosa, mais alegre e delicada (1905).
A mudança de estado de espírito pode ter se originado em parte pela sua ligação com Fernande Olivier, seu primeiro grande amor. Na vida de Picasso, as mulheres e a arte estão inexplicavelmente misturadas, o surgimento de uma nova mulher frequentemente sinalizava uma mudança de direcção artística.
Embora os trabalhos de Picasso estivessem começando a ter sucesso comercialmente, ele decidiu abandonar seu estilo "Rosa". Em 1907, inspirado pelas esculturas ibérica e africana, pintou Les Demoiselles d'Avignon, um dos grandes trabalhos liberadores da arte moderna. Divertindo-se com uma nova liberdade pictórica, Picasso, junto com o pintor francês Georges Braque, criou o Cubismo, em que o mundo visível era desconstruído em seus componentes geométricos. Este foi comprovadamente o momento decisivo em que se estabeleceu um dogma fundamental da arte moderna - o de que o trabalho do artista não é cópia nem ilustração do mundo real, mas um acréscimo novo e autónomo. Graças ao Cubismo, a liberdade do artista estendeu-se também aos materiais, de foram que os meios tradicionais como a pintura e a escultura puderam ser suplementados ou substituídos por objectos colados nas telas, ou "montagens" de itens construídos ou "achados".
Ao contrário de alguns contemporâneos seus, Picasso nunca chegou a criar uma arte puramente abstracta. De fato, sua versatilidade o mantinha um salto adiante de seus admiradores, muitos dos quais se surpreenderam quando ele voltou a pintar figuras mais convencionais e depois, no início da década de 1920, desenvolveu um estilo neoclássico monumental. Coincidentemente ou não, em 1918 se casara com a bailarina Olga Koklova, e adoptara um estilo de vida exageradamente próspero e respeitável - mas que ele achava cada vez mais aborrecido.
Em 1925, Picasso começou a pintar formas deformadas, violentamente expressivas, que eram em parte uma resposta às suas dificuldades pessoais. A partir desta época, seus trabalhos se tornaram cada vez mais multiformes, empregando - e inventando - uma variedade de estilos como nenhum outro artista havia tentado antes. Foi também um escultor criativo (algumas autoridades o consideram o maior expoente da arte no século 20), e mais tarde dedicou-se à cerâmica com grande entusiasmo. Em qualquer veículo que se expressasse, sempre foi imensamente prolífero, criando em toda a sua vida milhares de obras.
No final da década de 1930, quando o impulso criativo de Picasso parecia finalmente estar enfraquecendo, os acontecimentos o levaram a criar o seu quadro mais famoso:
Guenica. Esta obra foi uma resposta aos horrores da Guerra Civil Espanhola. o conflito começou em Julho de 1936 com um golpe militar liderado pelo General Francisco Franco, representando os elementos fascistas, tradicionalistas e clericais do país, contra a República Espanhola e seu governo eleito da Frente Popular (centro-esquerda).
Ao rebentar a guerra, Picasso imediatamente declarou seu apoio à República, levantando enormes quantias em prol da causa e aceitando pintar um grande mural para o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de 1937, em Paris. Ainda não havia começado quando soube que, em 26 de abril de 1937, aviões nazistas, enviados por Hitler para ajudar Franco, tinham bombardeado e arrasado a cidade de Guernica. Picasso pôs-se imediatamente a trabalhar nos esboços preliminares para
Guernica e depois pintou a enorme tela em cerca de um mês (maio/junho de 1937). Ela foi a expressão máxima não só do sofrimento espanhol como do impacto devastador dos armamentos modernos de guerra sobre suas vítimas em todas as partes do mundo.
Apesar de tudo, os republicanos perderam a guerra civil, e Picasso ficou exilado da sua terra natal para oresto da sua longa vida. Durante a segunda Guerra Mundial, ele ficou na Paris ocupada pelos alemães, proibido de expor mas sem que ninguém o molestasse seriamente.Depois da libertação de Paris, Picasso ingressou no Partido Comunista, e durante alguns anos certas obras suas foram declaradamente políticas; mas ele era também uma celebridade internacional, residindo na região onde os ricos iam se divertir no sul da França. Em seguida a uma série de ligações amorosas, ele finalmente casou-se pela segunda vez, agora com Jacqueline Roque, em 1961 e levou uma vida cada vez mais retirada. Artisticamente prolífero até o fim da vida, morreu aos 91 anos em 8 de abril de 1973.

Rouault

Artes Pásticas
Georges Rouault(1871 – 1958). Rouault, que sempre repudiou a definição de "arte sacra" aplicada à sua obra, foi o mais importante artista cristão do século XX. Integrado na corrente expressionista, iniciou a carreira como pintor de vitrais, antes de estudar pintura na École des Beaux Arts como aluno de Gustave Moreau. Sua amizade com Léon Bloy, escritor de temas religiosos, reafirmou-o na fé católica, inspirando-lhe a composição de temas de conteúdo social. Assim, entre 1902 e 1917, ganharam forma em guaches e aguarelas as séries de palhaços, prostitutas, juízes e cenas de tribunais, nas quais o pintor parece sobrepor-se à fealdade dos modelos por meio de uma pincelada enérgica e de tonalidades sombrias. Na década de 1910, Rouault dedicou-se à execução de obras de tendência monumental (como o ciclo Guerre et Misère, pintado entre 1917 e 1927, mas que só em 1948 seria conhecido pelo público). Realizou seguidamente diversos cenários para os Ballets Russes de Serguei Diaguilev. No final dos anos de 1920, retomou os temas clássicos, baseados em figuras de palhaços, pierrots, mulheres, assim como em cenas do suplício de Cristo e do Antigo Testamento, impregnadas de uma sensibilidade mística e dolente. Seu cromatismo foi gradualmente adquirindo luminosidade, com contrastes extremos e contornos negros que recordavam a técnica do vitral. Em 1945, foi encarregado da execução dos vitrais da igreja de Assy.

 

Renoir

Artes Pásticas
Renoir nasceu em Limonges, no dia 25 de Fevereiro de 1841. O pai era um alfaiate que se mudou para Paris onde o jovem artista, aos catorze anos, entrou como aprendiz numa firma de pintores de porcelana. Seu talento natural para as cores recebeu nova direcção quando ele passou nos exames para a Ecole des Beux-Arts, ingressando no atelier Charles Gleyre onde conheceu outros jovens pintores que, mais tarde, seriam rotulados impressionistas.
Os primeiros trabalhos desses rapazes foram ridicularizados pelas instituições artísticas parisienses e tiveram sua exposição recusada pelo Salão oficial. Para sobreviver, Renoir pintava retratos convencionais, mas também expunha suas obras rejeitadas pelo Salão no Salon des Refusés. Pintor francês que, junto com Monet, amigo pessoal, formou o núcleo do grupo impressionista. Uma visita à Itália, entre 1881 e 1882, inspirou-o a buscar maior consistência para sua obra. As figuras tornaram-se mais imponentes e formais, e muitas vezes abordou temas da mitologia clássica. Nos seus últimos anos de vida, também dedicou-se à escultura, com o auxílio de assistentes. Embora Pierre Auguste Renoir fosse um dos fundadores do Impressionismo e um pintor revolucionário, sua verdadeira ambição, descoberta somente em 1881 quando esteve na Itália, era ser um artista em grande estilo renascentista, como Ticiano. Antes disso, sua pintura era decorativa, com uma delicada percepção de cor que havia desenvolvido como aprendiz de pintura em porcelana. No atelier Gleyre, Renoir fez amizade com Claude Monet e os dois começaram a pintar juntos, principalmente em Argenteuil, perto de Paris, onde Monet tinha uma casa que se tornou ponto de encontro desses novos pintores. Em 1874, cansados de serem rejeitados pelo Salão, vários desses artistas, inclusive Renoir, Monet, Sisley e Berthe Morisot, organizaram sua própria exposição. Renoir incluiu sete quadros nesta mostra, que não foi um sucesso financeiro mas deu aos pintores o nome de "Impressionistas", termo que no início era usado como uma forma de ridicularizá-los.
Na segunda Exposição Impressionista, em 1876, Renoir apresentou 15 trabalhos. Neste período, seus quadros estavam agradando cada vez mais, como
Madame Charpentier e suas filhas alcançando um enorme sucesso no Salão em 1879.
Aí aconteceu a sua viagem à Itália, em 1881. Ele ficou tão impressionado com o trabalho dos renascentistas italianos que chegou à conclusão de que nada sabia de desenho, e muito pouco de pintura. A parti daí, firmaria o seu traço e abandonaria aos poucos a maneira impressionista de aplicar as tintas em pequenas pinceladas, passando a usar o método tradicional de espalhá-las em camadas e vernizes.
A visita de Cézanne em L'Estaque, perto de Marselha, ao voltar da Itália par casa, confirmou esta sua nova abordagem. Cézanne havia rompido com Impressionismo para desenvolver um rígido estilo estrutural próprio. Renoir, então, concentrou-se em criar as suas próprias e novas técnicas. Seu Guarda-chuvas, pintado durante vários anos, no início da década de 1880, foi uma composição formal cheia de planos de cores e com rígida estrutura de um quadro de Cézanne.
Percebendo que traço firme e riqueza de colorido eram coisas incompatíveis, Renoir concentrou-se em combinar o que tinha aprendido sobre cor, durante seu período impressionista, com métodos tradicionais de aplicação de tinta. o resultado foi uma série de obras-primas bem no estilo Ticiano, assim como de Fragonard e Boucher, a quem ele admirava. Os trabalhos que Renoir incluiu em uma mostra individual de 70, organizada pelo marchand Paul Durand-Ruel, foram elogiados, e seu primeiro reconhecimento oficial veio quando o governo francês comprou Ao Piano, em 1892.
Em 1885 nasce Pierre, filho de Renoir e Aline Charigot, há muito tempo sua amante e modelo. Três anos depois, visitando Cézanne em Aix-en-Provance, Renoir descobriu Cagnes que passou a ser sua residência de inverno quando começou a sofrer de artrite e reumatismo. Passava longos períodos no sul com Aline, agora sua esposa, somando à família mais dois meninos: Jean, nascido em 1894, que seria um dos maiores directores de cinema na França, Claude (Coco), nascido em 1901. A casa em Cagnes, Les Colletes, que Renoir construiu em 1907, se tornou um importante refúgio para o trabalho e a vida doméstica.
Piorando da artrite, Renoir sentia cada vez mais dificuldades para segurar os pincéis e acabou tendo que amarrá-los às mãos. Começou também a esculpir, na esperança de poder expressar seu espírito criativo através da modelagem, mas até para isso ele precisou de ajuda, que veio na forma de dois jovens artistas, Richard Gieino e Louis Morel, que trabalhavam segundo suas instruções.
Apesar das graves limitações físicas, Renoir continuou trabalhando até o último dia de sua vida. Sua grande tela exposta no Louvre, As Banhistas, foi terminada em 1918. Em 1917, ele recebeu a visita de um jovem pintor chamado Henri Matisse, que estava destinado a transportar suas idéias sobre cor a uma nova era. Renoir morreu em Cagnes, no dia 3 de Dezembro de 1919, aos 78 anos, e reconhecido como um dos maiores pintores da França. 

Monet

Artes Pásticas
Pintor francês, tido como o maior expoente do Impressionismo. Durante muito tempo Monet foi considerado, como Cézanne observou, "meramente um olho, mas que olho", traduzindo para as telas as imagens diante dele. Cézanne foi um pintor intelectual, criador de uma teoria que se tornou a base da arte moderna; quando ele chamou Monet de "meramente um olho", não quis dizer o olho mundano através do qual a maioria de nós vê o mundo. O olho de Monet era o olho de um pintor, um olho com uma mente criativa por detrás, interpretando a realidade aparente e colocando-a no contexto das idéias do pintor, criando assim uma nova visão para o espectador.
A abordagem do mundo por Monet seguia linhas venezianas em vez de florentinas: ele interpretava o mundo através da cor e não do desenho. Seus ancestrais são Ticiano e Claude, e não Michelangelo e Poussin. Como seus predecessores, Monet descobriu que a cor tem suas próprias razões, assim como o desenho, a cor rompe as nítidas exigências da linha. Monet buscava a verdadeira realidade por trás da aparência visual esticando a cor até seu limite e procurando, na própria natureza, aquelas nuanças significantes que expressam a realidade do mundo.
Claude Oscar Monet nasceu em Paris, no dia 14 de novembro de 1840. Seu pai era comerciante de secos e molhados e queria que o filho tivesse uma profissão. O destino decidiu o contrário. Quando Monet estava com cinco anos, a família se mudou para Le Havre, um agitado porto marítimo na desembocadura do Sena, perto das espetaculares rochas brancas de Etretat e Fécamp. O jovem Monet ficou excitado com o movimento das embarcações e com os variantes humores do mar - eles atraíam seu temperamento naturalmente volátil e sentimental.
No final da adolescência, ele conheceu Eugène Bodin, pintor que tinha uma loja de pigmentos em Honfleur. Bodin viu alguns desenhos do jovem Monet e o encorajou a pintar e, o que é mais, a pintar ao ar livre, método não muito comum numa época de pintores de ateliê.
Entusiasmado com a idéia de ser pintor, Monet foi para Paris, ingressando na Académie Suisse e no estúdio Gleyre. Ambos os lugares eram sementeiras para novas gerações de pintores e ali Monet conheceu Bazille, Pissaro, Renoir, Sisley e outros, os dois últimos se tornara seus amigos para o resto da vida.
Em 1870, Monet casou-se com Camille Doncieux e os dois foram para Trouville passar a lua-de-mel. De lá, Monet foi até Le Havre e, por motivos que ninguém soube explicar, mas que provavelmente estavam relacionados com o medo de ter que se alistar no exército francês, viajou para a Inglaterra no início da Guerra Franco-Prussiana. Sua mulher teve que ser resgatada por Boudin e enviada depois dele.
Em Londres, para onde Pissaro também fugira, Monet pintou suas primeiras cenas londrinas. Terminada a guerra, ele e a mulher voltaram para a França, em 1872, e fixaram residência perto de Paris, à beira do Sena, em Argenteuil. Ali, Monet iniciou um fértil período de pinturas e discussões sobre arte com seus amigos Renoir, Manet e Sisley. Em 1878, mudou-se novamente para a vizinha Vétheuil. Foi ali que Monet fez amizade com um rico negociante, Ernest Hoschedé e sua esposa, Alice, que se tornaram admiradores de seus quadros. Quando os negócios de Hoschedé foram abaixo, ele desapareceu deixando a mulher e os filhos com Monet.
No ano seguinte, sua amada esposa Camille, morreu de tuberculose meses depois de ter dado à luz o seu segundo filho. Monet registrou o seu leito de morte em um quadro extraordinário. Depois da morte de Camille, o inquieto Monet fez várias viagens à Riviera francesa e à italiana, à Normandia e à costa atlântica da França. Onde ia, pintava, mas não estava contente com o seu trabalho. Temas diferentes não eram a resposta; o importante era a pintura em si, o significado da realidade através da cor.
Monet acabou voltando para o campo perto de Paris, alugando e depois comprando uma casa em Giverny onde começou a plantar um jardim onde pudesse pintar. Em 1891, começou a sua famosa série de montes de feno nos campos circunvizinhos, em todas as épocas do ano e condições climáticas. Um ano depois, começou a sua igualmente famosa série de quadros da Catedral de Rouen. Ao mesmo tempo, pintou várias vezes o seu jardim em Giverny.
Alice Hoschedé já compartilhava da vida de Monet há alguns anos: as cartas que lhe escreveu sobre as excursões para pintar, e sobre seus medos e esperanças, dão uma visão maravilhosa da mente do artista. Quando o marido dela morreu, em 1892, Alice e Monet se casaram.
Monet entrou numa fase feliz e produtiva da sua vida. Seus trabalhos foram aceitos pelo Salão Oficial e não lhe faltava dinheiro. Viajava para a Noruega, Veneza, Londres, mas seu lar, tanto doméstico quanto artístico, era em Giverny.
A morte de Alice, em 1911, deixou-o só e desolado, e ele estava tendo dificuldades de visão. Depois de uma operação de catarata, e usando óculos especiais, pôde continuar trabalhando e foi incentivado por Georges "Tigre" Clemenceau a terminar a grande série de nenúfares que o governo francês adquiriu. Embora aclamado como um grande pintor francês, o próprio Monet, como a maioria dos
artistas, jamais sentiu ter alcançado a perfeita realização de suas idéias. Morreu no dia 6 de dezembro de 1926. 

Brueghel, o Velho

Artes Pásticas
Pieter Brueghel, o Velho, foi o primeiro de uma família de pintores famosos. Nasceu cerca de 1525 numa aldeia perto de Breda e veio a falecer em 1569. Estudou pintura com Pieter Coeck, tornando-se mestre da Guilda dos Pintores de Antuérpia em 1551. O primeiro trabalho conhecido é O Porto de Nápoles, pintado durante uma viagem a Itália, cuja paisagem o marcaria profundamente. Embora as informações biográficas sejam escassas, a sua obra ficou como testemunho da mestria e da originalidade da sua arte. Brueghel conseguiu seguir um caminho próprio, liberto dos cânones tradicionais baseados na arte italiana. O simbolismo e o fantástico da pintura de Bosch terá sem dúvida influenciado as primeiras gravuras (As Sete Virtudes e os Sete Vícios) e as pinturas em que demonstra o interesse pela vida nos campos, não sem uma ponta de ironia. Nestas pinturas representava inúmeros camponeses em plena actividade, mas com o tempo desenvolveu um estilo mais natural e mais sólido, apresentando menos figuras. A Parábola dos Cegos, A Dança do Camponeses e Casamento de Camponeses contam-se entre as últimas obras, e aí a ironia desapareceu, dando mesmo lugar à descrição dos horrores infligidos às povoações em plena época de perseguições. Esta atitude não era isenta de riscos e o pintor teria mesmo destruído algumas obras para proteger a família.A obra de Brueghel simplificou a realidade para a pôr ao serviço da sua visão do universal, mostrando a tragédia e a sabedoria de fundo popular.

Frieda Kahlo

Artes Pásticas
Magdalena Carmen Frieda Kahlo Calderón nasceu a 6 de Julho de 1907, terceira filha de Matilde Calderón González, mexicana, e de Wilhelm Kahlo, alemão, em Coyoacán, um subúrbio da Cidade do México. Em 1913, contrai poliomielite, o que a deixa com o pé direito ligeiramente deformado. Freqüenta a escola primária no Colegio Alemán, na Cidade do México. Freqüenta a Escuela Nacional Preparatoria em 1922, como uma das trinta e cinco mulheres num total de dois mil alunos, pensando em estudar medicina na universidade. Admira o trabalho de Diego Rivera no fresco "A Criação", na sua escola. No dia 17 de Setembro de 1925, fica gravemente ferida numa colisão entre um eléctrico e o autocarro, em que seguia da escola para casa, com o amigo Alejandro Gómez Arias. Fica um mês no hospital da Cruz Vermelha e começa a pintar durante a convalescença. O único ensino artístico que recebeu anteriormente resume-se a algumas aulas de desenho dadas pelo tipógrafo comercial, Fernando Fernández, cuja oficina ficava perto da sua escola.Torna-se membro do Partido Comunista Mexicano (PCM) em 1928 e encontra-se de novo com Rivera. Apaixonam-se um pelo outro. No seu fresco “Balada da Revolução”, que pintou no Ministério da Educação Pública, ele representa-a vestida com uma blusa vermelha e uma estrela ao peito, a distribuir armas para a luta revolucionária. A 21 de Agosto de 1929, Frida Kahlo casa-se com Diego Rivera (1886-1957). O casal vai primeiro viver em um apartamento no centro da Cidade do México e, depois, em Cuernavaca, enquanto Diego termina uma encomenda de um mural. Kahlo deixa o Partido Comunista quando Rivera é expulso.Devido à posição incorreta do feto, a primeira gravidez de Frida Kahlo é interrompida no princípio do ano de 1930. Rivera recebe encomendas dos EUA, e, em Novembro, o casal muda-se para São Francisco. No ano seguinte, Frida Kahlo conhece o Dr. Leo Eloesser. Ele tornar-se-á o seu conselheiro médico, em quem ela mais irá confiar até ao fim da vida. Aumentam as dores e a deformidade na perna direita. Em Julho, o casal regressa ao México, por pouco tempo. Em Abril de 1932, o casal muda-se para Detroit, onde Rivera foi incumbido de um outro trabalho. Ao fim de três meses e meio, a segunda gravidez de Frida Kahlo é interrompida, a 4 de Julho, com um aborto no Hospital Henry Ford. A 15 de Setembro, a mãe da artista morre, durante uma operação de vesícula. O casal muda-se para Nova lorque em Março de 1933, onde Rivera vai pintar um mural no Rockefeller Center. Regressam ao México, no final do ano, e mudam-se para uma casa nova, em San Angel. Devido a um <<infantilismo dos ovários>>, a terceira gravidez de Frida Kahlo é novamente interrompida, em 1934, aos três meses. É operada pela primeira vez no pé direito e vários dedos têm que lhe ser cortados. Diego Rivera tem um romance com Cristina, a irmã mais nova dela. Frida Kahlo deixa a casa de San Angel durante vários meses e aluga o seu próprio apartamento em 1935. Conhece o escultor americano, Isamu Noguchi, com quem tem um romance. Viaja para Nova Iorque com algumas amigas. De volta à casa do casal no ano seguinte, é operada no pé pela terceira vez. Empenha-se ativamente no comitê de solidariedade a favor dos republicanos espanhóis. Leon Trotsky e Natalia Sedova chegam ao México, a 9 de Janeiro de 1937. Frida Kahlo põe-lhes a <<Casa azul>> em Coyoacán, à disposição. André Breton e Jacqueline Lamba chegam ao México, em Abril do ano seguinte, para conheceremTrotsky. Ficam na casa de Guadalupe Marín, a anterior mulher de Diego Rivera, e conhecem Kahlo e Rivera. A primeira exposição individual dos trabalhos de Frida Kahlo tem lugar em Outubro/Novembro, na galeria de Julien Levy, em Nova lorque. Obtém um grande êxito.Inicia um romance com o fotógrafo Nickolas Muray. Viagem a Paris no ano de 1939, onde expõe os seus trabalhos na galeria Renou et Colle, em Março, e conhece os pintores surrealistas. Após seu regresso ao México, muda-se para a casa da família, em Coyoacán. Frida Kahlo e Diego Rivera divorciam-se, no final do ano. Em Setembro de 1940, viaja a São Francisco para ser sujeita a um tratamento pelo Dr. Eloesser. Em 8 de Dezembro, Frida Kahlo e Diego Rivera casam-se pela segunda vez. Em 14 de Abril do ano seguinte, Guillermo Kahlo morre de ataque cardíaco. Daqui em diante, Kahlo e Rivera passam a viver na <<Casa azul>>, em Coyoacán. Diego Rivera continua a utilizar a casa de San Angel como estúdio. Frida Kahlo começa a escrever um diário. Torna-se membro do Seminário de Cultura Mexicana em 1942. Oferecem-lhe um lugar como professora na Escola de Arte <<La Esmeralda>> em 1943. Poucos meses depois é forçada a dar as aulas em casa, em Coyoacán, por causa do seu precário estado de saúde. Recebe o prêmio nacional do Ministério da Educação Pública em 1946, pelo seu quadro Moisés. Vai para Nova Iorque para ser operada da coluna. Em 1948 torna-se novamente membro do Partido Comunista Mexicano (PCM). Dois anos depois é sujeita a um total de sete operações da coluna e passa nove meses no hospital. Após ter alta do hospital em 1951, passa a maior parte do tempo numa cadeira de rodas. Desde então, tem que tomar comprimidos para as dores, regularmente. Ajuda a recolher uma lista de assinaturas a favor do movimento da paz em 1952; Diego mostra-a empenhada dessa maneira no seu mural “O Pesadelo da Guerra e o Sonho da Paz”. Lola Alvarez Bravo organiza a primeira exposição individual dos trabalhos de Frida Kahlo em 1953, na sua galeria, no México. A artista comparece à abertura deitada numa cama. A perna direita é-lhe amputada até ao joelho. Contrai pneumonia em 1954, mas, enquanto ainda estava em convalescença, e contrariamente aos conselhos dos médicos, participa numa manifestação contra a intervenção norte-americana na Guatemala. A 13 de Julho de 1954, na <<Casa azul>>, morre Frida Kahlo. Em 1958 abre-se o Museo Frida Kahlo e é apresentado à nação mexicana, de acordo com os desejos de Diego Rivera, que morrera em 1957.



Cézanne

Artes Pásticas
Paul Cézanne nasceu em 19 de Janeiro de 1839, em Aix-en-Provence. O seu pai, LouisCézanne, é negociante e exportador de chapéus de feltro. A mãe, Anne-Elisabeth Honorine Aubert, é filha de um torneiro marselhês. Paul foi batizado em 22 de Fevereiro na igreja de Santa Madalena, os pais só casaram em 1844. No ano de 1852 ele freqüenta o Collêge Bourbon (hoje Licée Mignet) onde começa amizade com JeanBaille e Emile Zola, cujo pai trabalha num projeto de barragem em Aix. Eles fizeram numerosas excursões nos arredores de Aix. Por vontade do pai, em 1859, Cézanne começa contrariado, estudo de Direito na Universidade de Aix. Livre do serviço militar, dado que o pai pagava quem o substitua, recebe o segundo prêmio da Escola especial de desenho por um estudo de figura. Louis Auguste Cézanne adquire o Jas de Bouffan, perto de Aix, que é a antiga residência do governador da Provença. Reside em Paris de Abril a Setembro de 1861. Estuda nus na Academia Suíça onde encontra Camille Pissarro. Começa, então, um retrato de Zola e não o acaba. Regressa a Aix desanimado e entra para o banco do pai e retoma os estudos na Escola de Desenho de Aix.Arranja um estúdio no Jas de Bouffan no ano de 1862. Deixa o banco e abandona a carreira jurídica. Volta para Paris em Novembro com uma pensão mensal de 125 francos. Em 1863 trabalha regularmente na Academia Suíça onde encontra, além de Achille Empéraire e Pissarro, Renoir, Monet e Sisley. Foi reprovado na Escola das Belas-Artes já que possuía temperamento de um colorista, mas ele exagerava. Participa, em 1863, no Salão dos Recusados com Manet, Pissarro, Jongkind, Guillaumin, Whistler, Fantin-Latour e outros.Começa então a pintar quadros demoníacos e expressivos num estilo lançado e selvagem. Faz freqüentemente cópias no Louvre, em especial de telas de Delacroix. É recusado, em 1866, no Salão, envia, por sua vez uma carta de protesto ao diretor das Belas-Artes. Trava conhecimento com Manet, que elogia as suas naturezas-mortas.Começa também os primeiros ensaios de pintura ao ar livre. Fica em Aix a partir de Agosto e faz o retrato do pai a ler um jornal. Novamente é recusado no Salão em 1869. Conhece Hortense Fiquet, de 19 anos de idade e encadernadora de profissão. Tenta novamente entrar no Salão, mas é recusado 1870 e 1871. Passa o tempo que dura a Guerra Franco-Alemã em l’Estaque, na companhia de Hortense. Acaba o período tumultuoso com quadros sombrios e expressivos. Volta a Paris depois da Comuna. Nasce o seu filho Paul em 1872. Instala-se com a família em Auvers-sur-Oise, onde pinta quadros com Pissarro. Logo, em 1873 pinta na casa do doutor Gachet. Trava conhecimento com o negociante de tintas Julien Tanguy que troca material de pintura pelos seus quadros. Encontra Van Gogh na casa Tanguy. Tem sua primeira exposição coletiva, em 1874, dos impressionistas em casa do fotógrafo Nadar. Os quadros de Cézanne fazem escândalo (A Casa do Enforcado em Auvers, Uma Olímpio Moderna). No Verão fica em Aix e a partir de Setembro, fica outra vez em Paris. Recusado no Salão, novamente em 1875. Renoir arranja-lhe um encontro com Victor Chocquet, inspetor das alfândegas e amador de arte, que se tornará um dos seus mais fiéis colecionadores. Participa, em 1877, na terceira exposição impressionista com 16 quadros e suscita ainda uma vez mais violentas críticas. Passa o ano de 1878 em Aix e em l’Estaque enquanto Hortense e Paul vivem em Marselha. O pai toma conhecimento da existência deles e reduz a pensão mensal. Zola ajuda-o financeiramente. E é novamenterecusado no Salão. Em 1879 é recusado no Salão. No Outono, visita Zola em Médan. Desconcertado com o luxo do amigo, Cézanne afasta-se de Zola. Em 1885 é outra vez recusado no Salão. Decide não enviar mais obras para lá. Passa uma grande parte deste ano e do ano seguinte em Aix e nos arredores da cidade. Ruptura com Zola após a publicação do romance L’Oeuvre que descreve a vida de um artista falhado. Casa pó sua vez com Hortense Fiquet. O pai de Cézanne morre em Outubro e ele herda uma fortuna considerável. Vive principalmente em Aix, em 1887. Pinta com Renoir no Jas de Bouffan. Apresenta três quadros na exposição Les XX em Bruxelas, isso em 1890. No Verão, passa cinco eses com a sua família. No Outono, está outra vez em Aix. Sofre de diabetes. Primeira exposição individual em Dezembro de 1895, na casa do negociante de arte parisiense Ambroise Vollard. Pinta em 1896 na pedreira de Bibémus. Conhece o escritor Joachim Gasquet. A mãe de Cézanne morre em Outubro. A Nationalgalerie de Berlim compra um quadro de Cézanne. É a sua primeira tela num museu. Trabalha em Aix, 1898, perto do Chateau Noir. Depois, outra vez fica um longo tempo em Paris. Em 1899, fica em Paris até o Outono e, depois, regressa a Aix onde ficará durante cinco anos quase sem interrupção. Venda do Jas de Bouffan. Aluga uma pequena casa em Aix e contrata uma governanta. A mulher e o filho vivem, sobretudo em Paris.Uma nova exposição individual na Casa Vollard. As suas telas atingem somas consideráveis. Três dos seus quadros na exposição centenal de Paris, em 1900. O negociante de arte Cassirer organiza em Berlim uma exposição individual. Não é vendida qualquer tela. Participa no Salão dos Independentes, 1901, em Paris e em exposições em Bruxelas e na Haia. Compra um terreno no Chemin des Lauves, acima de Aix. Em 1902 muda para o seu novo estúdio, Chemin des Lauves. Morte de Zola em Setembro. A venda da coleção Zola no decurso da qual as obras de Cézanne, 1903, atingem um preço médio de 1.500 francos. Expõe na Secessão Vienense.Neste mesmo ano, Pissarro morre. Visita de Emile Bemard, em 1904, que o vê pintar. Vai a Paris para participar no Salão de Outono. Expõe trinta telas. Em Berlim, segunda exposição individual na Casa Cassirer. As suas relações com os outros se tornam cada vez mais difíceis. A diabetes enfraquece-o cada vez mais. Expõe seus quadros no Salão de Outono, em 1905, e nos Independentes. O negociante de arte Durand-Ruel envia dez dos seus quadros à exposição impressionista de Londres. Participa no Salão de Outonoem 1906 mais uma vez. No mesmo ano, Cézanne é surpreendido por uma tempestade no dia 15 de Outubro e morre a 7 dia depois, de uma pneumonia. Cézanne é enterrado no cemitério Saint-Pierre d’Aix. Acontece em 1907, a Grande Retrospectiva no Salão de Outono com 56 quadros de Paul Cézanne. Em 1954 O estúdio do Chemin des Lauves é aberto ao público.

Manet

Artes Pásticas
Édouard Manet nasceu em Paris, em 23 de Janeiro de 1832. Já no colégio Rollin, onde fez os primeiros estudos, demonstrou interesse pelo desenho, mas a família rejeitou sua pretensão de tornar-se pintor.
Em Dezembro de 1848, como aprendiz de piloto, embarcou com destino ao Rio de Janeiro. A breve passagem pela cidade está documentada nas cartas que enviou do Brasil a seus familiares na França, traduzidas e comentadas por Afonso de E. Taunay no livro No Rio de Janeiro de Dom Pedro II (1947).
Após regressar à França, em Junho de 1849, seus pais finalmente aceitaram sua carreira de pintor. No ano seguinte, ingressou no atelier de e, após seis anos, instalou seu próprio atelier. Em 1859, pintou "O bebedor de absinto" e, em 1862, "Música nas Tulherias", cena ao ar livre que reúne figuras da sociedade parisiense do segundo império.
Em 1863, o júri do Salão da Academia Real rejeitou o quadro "Déjeuner sur l'herbe", obra revolucionária para os padrões da época. Manet a expôs, então, no Salon des Refusés (Salão dos Recusados), onde provocou a admiração dos jovens pintores que mais tarde integrariam o grupo impressionista. Embora inspirado em obras de antigos mestres como Giorgione e Rafael, o quadro provocou violenta reacção dos críticos, chocados com a presença de uma mulher nua em meio a homens vestidos.
Manet casou-se com Suzanne Leenhoff em 1863. Na época, começou a pintar cenas de hipódromos, entre elas "As corridas de Longchamp".
No Salão de 1865, a tela "Olympia" provocou novo escândalo. No ano seguinte, "O pífaro", rejeitado pelo Salão, foi exposto no atelier de Manet. Émile Zola publicou então um artigo em que o elogiava.
No início da guerra franco-prussiana de 1870, Manet se alistou na guarda nacional. Em 1874, tornou-se amigo de Claude Monet e outros pintores impressionistas. Manet morreu em Paris em 30 de Abril de 1883. Após a exposição realizada em sua memória, a obra do pintor finalmente obteve reconhecimento.



Goya

Artes Pásticas
Em 30 de março de 1746 nasce no pequeno povoado de Fuendetodos, em Zaragoza, Francisco de Goya, sexto filho do casamento de José Goya - artesão e mestre dourador - e Engracia Lucientes, de família pertencente à pequena nobreza aragonesa. Após seu nascimento na casa dos avós maternos, Goya vive a primeira parte da vida - cerca de 30 anos - em Zaragoza. Ali começa seus primeiros estudos, inicia sua formação pictórica (como aprendiz no ateliê do pintor José Luzán) e faz seus primeiros projetos artísticos.
Entre 1770 e 71 viaja para a Itália, para completar sua formação, e reside durante longa temporada em Roma, convivendo com o grupo de artistas da Via Condotti, especialmente com o pintor polonês Teodoro Kuntz. A Itália viria a ser muito importante na trajetória artística de Goya, não só porque ali pôde aprender e experimentar diversas técnicas (como afresco) ou copiar da realidade algumas obras que lhe interessavam e que serviriam como ponto de partida e catálogo de imagens para suas realizações posteriores, mas também porque permitiu a ele manter contato direto com a 'grande pintura' italiana e européia, fortaleceu seu caráter como pessoa e pintor, motivando maior ambição artística e preparando-o para alcançar os mais elevados objetivos. Após voltar da Itália em 1771, Goya é incumbido de pintar um afresco numa das abóbodas da Basílica del Pilar de Zaragoza, onde realiza um trabalho realmente magistral. Em Madri, no ano de 1773, casa-se com Josefa Bayeu, irmã de um dos acadêmicos mais influentes e Pintor do Rei, Francisco Bayeu, e de seu companheiro de formação artística em Zaragoza, Ramón Bayeu. Esta família de pintores acadêmicos aragoneses, com os quais estreitou laços de parentesco, abre-lhe as portas da Corte. Começa a pintar retratos da alta nobreza madrilena em 1783. É nomeado Pintor do Rei em 1786. Durante esses anos Goya pinta e recebe muitas encomendas por intermédio de e com a tutela de seu cunhado, Francisco Bayeu. No princípio, muitas de suas pinturas estavam impregnadas do espírito e da estética academicista em moda na Corte espanhola, das quais Goya foi se libertando pouco a pouco - conforme conquistava maior independência artística e econômica com relação a seu cunhado Francisco Bayeu -, e alcançando um estilo muito pessoal, mais eclético em suas referências e soluções estéticas, em que já podemos descobrir alguns aspectos de sua genialidade, apaixonada expressividade e premonição de sua obra da maturidade. Ao conquistar prestígio na Corte, cada vez mais livre e seguro de si, Goya é nomeado em 1789 pintor do rei Carlos IV. Essa honraria e o reconhecimento artístico que lhe foi outorgado deram a Goya novas possibilidades e maior força para fazer a sua pintura. Mas não é esse o motivo principal pelo qual aprofunda de maneira particular o modo de interpretar o ser humano e seus espaços. Em 1792 Goya sofre grave enfermidade em Cádiz, levando-o à inatividade durante cerca de dois anos e provocando nele uma surdez irreversível. A forçada falta de comunicação com o mundo o leva a um estado de maior concentração e profunda reflexão sobre a sua pintura, a condição humana e a sociedade da sua época. Goya participa ativamente dos círculos cultos e liberais da Corte espanhola, muito sensibilizados pelos acontecimentos que se sucediam na Europa desde o início da Revolução Francesa (1789), e afirma paulatinamente seu caráter independente e hipercrítico a respeito de temas e assuntos que definiam a situação do Antigo Regime em que se encontrava a Espanha, tanto em seus fundamentos sóciopolíticos quanto nos costumes, criticando a sociedade, o estado clerical, a nobreza parasitária, combatendo a Igreja como instituição de controle social, a Inquisição, atacando duramente o casamento como convenção social, a hipocrisia como norma de conduta, a realidade da prostituição, a mendicância etc. Essa reflexão profunda e comprometida se traduz em imagens na série de gravuras Los Caprichos (1797/99), sem dúvida um dos documentos visuais mais certeiros, incisivos e francos criados por um artista sobre seu tempo, visto ser extraordinário em sua concepção plástica e perfeição técnica. Aos 53 anos de idade, chega ao reconhecimento oficial máximo que um artista poderia conseguir em vida na sua época. Começa, em 1800, o retrato coletivo da família de Carlos IV, sua consagração definitiva como pintor independente e anticonvencional, ao mesmo tempo em que suas interpretações psicológica e ideológica eram rechaçadas por parte dos monarcas retratados, motivando seu afastamento de novos trabalhos para a realeza. Os primeiros anos do novo século são de intenso trabalho - fundamentalmente em retratos - e de ilusão por uma mudança política e cultural previsíveis. Em 1808 o monarca espanhol abdica em nome do filho por pressão política da França. Os exércitos franceses de Napoleão ocupam territorialmente o país, chegando a impor José Bonaparte como novo rei da Espanha. Goya, como outros 30 mil chefes de família, jurou 'amor e fidelidade' ao rei estrangeiro. E, como muitos liberais, confiava na chegada de uma nova monarquia constitucional, na profunda transformação da sociedade e dos costumes, na consolidação de um ambiente culto, esclarecido, racionalista e liberal na Espanha. Mas o que havia sido, em princípio, uma 'revolução controlada', que trazia a esperança, converteu-se pouco a pouco em mera justificativa das aspirações expansionistas de Napoleão e em uma guerra aberta de conquista francesa e independência por parte dos espanhóis. Goya, como a grande maioria dos espanhóis cultos e liberais, sofre na carne e no espírito as contradições e conseqüências desse conflito de idéias - renovação e liberalismo de um lado e nacionalismo e resistência de outro -, o que, sem dúvida, foi uma amargura para ele durante as últimas décadas de sua vida, reforçou seu ceticismo e encheu de pessimismo suas criações mais pessoais e reflexões vivenciais e estéticas. Inicia o ciclo de desenhos e gravuras que constituirá mais tarde, em 1810, a série Los Desastres de la Guerra, documento visual excepcional das realidades e seqüelas de toda a guerra, em que Goya afirma com horror sua condição de testemunha - "Yo lo he visto", escreve sob algumas das imagens. Em 1812 morre sua mulher. Um ano depois acaba a Guerra de Independência espanhola, coincidindo com a deterioração do poder imperial napoleônico. No ano de 1814 regressa Fernando VII, filho de Carlos IV, em quem os liberais nacionalistas espanhóis haviam colocado todas as suas esperanças, resistindo e defendendo a Constituição de Cádiz. Esta ilusão, porém, se desvanece muito rapidamente: o rei decreta a abolição da Constituição, persegue os liberais e inicia um severo expurgo contra os 'colaboracionistas'. Entre eles se encontra Goya, que sofre a perseguição e investigação do Palácio e da Inquisição. São anos de situação delicada para o pintor: perseguido, forçado a uma grande atividade, pintando retratos para ganhar o favor de seus protetores ou acusadores, em um país em que a vertente reacionária recrudesce. Cada vez mais só e inseguro pela fuga e pelo exílio de seus amigos liberais, trabalha em nova série de gravuras - La Tauromaquia, Los Disparates -, se isola do mundo e da família (apenas reconfortado pela companhia da jovem Leocadia Weiss). Adquire uma nova residência em 1819 - a Quinta del Sordo - que será seu penúltimo refúgio pessoal e artístico. Tem uma grave enfermidade que quase o leva a morte. Um ano depois, aos 74 anos, começa a pintar nos muros de sua casa um ciclo de temas e imagens realmente excepcional e diferente, clandestino, hermético, esotérico - Las Pinturas Negras. Com cenas e personagens os mais terríveis, ou alegorias inquietantes, Goya oferece um amargo resumo de sua própria pintura e razão de ser, uma síntese definitiva de sua vida, dos muitos anos que pôde viver tão perigosamente, das muitas ilusões perdidas ou deixadas de lado, de suas incertezas e as de outros como ele que acreditaram no triunfo de um novo mundo, e tudo velado por uma densa atmosfera de melancolia e tristeza.
 


Salvador Dali

Artes Pásticas
Pintor espanhol, representante do surrealismo, pintou algumas das obras clássicas dessa escola, empregando desenho refinado e técnica meticulosa para criar imagens provocativas e alucinadas que se chamava "sonhos fotográficos pintados à mão". Salvador Dalí foi um grande artista que era também um grande promotor de si mesmo e showman. A combinação foi uma fórmula irresistível para o sucesso. Dalí, com os bigodes arrogantemente arrebitados, tornou-se uma figura familiar para milhões de pessoas que nunca tinham chegado perto de uma galeria de arte. Dalí era espanhol, nascido em 11 de maio de 1904, na pequena cidade catalã de Figueras. De certo modo, o mundo interior de Dalí era Figueras, a planície de Ampurdán onde ela se localiza, a aldeia de pescadores, logo atrás das montanhas, e o vizinho Port Lligat onde ele construiu seu lar. Estes são os cenários da grande maioria de seus trabalhos, até mesmo quando o fundo é ocupado por uma crucificação ou por uma guerra civil. Proveniente de uma família sólida de classe média, amigos ricos e cultos incentivavam o jovem Dalí e o mantinham extraordinariamente bem informado sobre os desenvolvimentos no mundo das artes. Ele já tinha uma bagagem artística muito boa quando foi estudar pintura em Madri (1921-6), e o período teve mais importância pelas amizades que fez com o poeta Lorca e o diretor de cinema Luis Buñuel, com quem filmou o famoso Un Chien Andalou (1929). A partir de 1929, Dalí foi sendo cada vez mais atraído pelo Surrealismo. Este movimento sediado em Paris, influenciado pelas teorias relativamente novas de Sigmund Freud, criava obras ditadas pelo inconsciente através dos sonhos, com a escrita automática e outros procedimentos voltados para libertar o artista da tirania da racionalidade. Em 1929, com a ajuda da mulher que seria sua amante, esposa, "zeladora" e musa, Gala Eluard, o pintor se estabeleceu como membro do grupo. Gala parece ter salvo Dalí de uma grave crise mental, e sem a sua ajuda e fé no gênio dele, talvez ele não tivesse tido tanto sucesso; por outro lado, foi Gala, cada vez mais gananciosa e extravagante, que o incentivou a comercializar e freqüentemente banalizar sua arte. O próprio Dalí promoveu um culto exagerado a Gala, cujos diversos aparecimentos em suas obras culminaram em imagens quase deificadas. Dalí pintou suas obras mais famosas, e provavelmente as melhores, na década de 1929-39, usando um "método crítico-paranóico" que ele mesmo imaginou. Este método envolvia várias formas de associações irracionais, notadamente imagens que variavam conforme a percepção do observador, de tal maneira que um grupo de soldados guerreando pudesse de repente ser visto como o rosto de uma mulher. Uma característica distintiva da arte de Dalí é que, além de serem fantásticas, elas eram sempre pintadas com uma técnica "acadêmica" impecável e precisão "fotográfica" que a maioria dos de vanguarda contemporâneos considerava fora de moda. No final da década de 1930, Dalí estava começando a ser reconhecido nos Estados Unidos, onde as atitudes em relação às novidades artísticas eram menos conservadoras do que no Velho Mundo. O início da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos alemães sobre a França, em 1940, levaram Dalí a fugir para os EUA, onde ficou oito anos. A América proporcionou inúmeras oportunidades para ele usar seu talento e também despertou deu lado exibicionista. Tornou-se uma supercelebridade, encenando happenings muito antes da invenção deste termo, e eventualmente até aparecendo em comerciais de TV. Entretanto, Dalí também continuava trabalhando muito e com seriedade, mantendo-se prolífero como artista, projetista e escritor. Viveu o bastante para se tornar um ícone da geração hippie e criar um monumento pessoal fantástico na forma do Museu Dalí em Figueras, todo um ambiente repleto de objetos e murais bizarramente criativos. Os últimos anos da Dalí foram obscurecidos por um distanciamento de Gala, embora ele se sentisse arrasado com sua morte em 1982. Subseqüentemente, crescia a preocupação com a quantidade de obras falsas circulando atribuídas a Dalí. Ele mesmo foi culpado disso, porque é claro que foi induzido a assinar centenas, talvez milhares, de folhas em branco que seriam obviamente usadas de forma ilícita. Perdurou virtualmente como um espectro vivo até sua morte, em 20 de janeiro de 1989. Está enterrado no Museu Dalí em sua terra natal.

Velasquez

Artes Pásticas
Diego Rodrigues de Silva y Velásquez (1599-1660) Diego Rodrigues de Silva y Velásquez nasceu em Sevilha, Espanha em 1599. Estudou com Francisco Pacheco que lhe ensinou o estilo italiano do artista Caravaggio, caracterizado pelo Realismo e a utilização de uma luz sombria e de tons escuros. Velásquez começou a pintar para o Rei Filipe IV e tornou-se um pintor bem sucedido na corte.
Em 1629, foi à Itália, onde estudou a arte da antiga Roma e aperfeiçoou sua técnica de pintar nus. Depois de seu retorno à Espanha, produziu uma série de retratos como o quadro A Rendição de Brenda, uma das mais belas pinturas históricas do mundo.
Entre 1649 e 1651 esteve novamente na Itália onde pintou o retrato do papa Inocêncio X , também paisagens e Vénus no Espelho , o único nu feminino que lhe é atribuído.
Ao regressar à Espanha, pintou quadros ainda mais fulgurantes, de uma riqueza e brilho até então nunca vistos. No seu célebre retrato de grupo As Meninas, mostra o realismo, as ricas cores, a luz, a sombra, assim como sua capacidade para localizar seus assuntos no espaço, com uma qualidade quase fotográfica.
Este importante pintor barroco espanhol era um artesão sofrido, que trabalhava constantemente na feitura renovada de seus quadros.
Morreu em 1660.


Miguel Angelo

Artes Pásticas

Só com o sucessor de Leão X, o Papa Clemente VII, Michelangelo encontra novamente um mecenas que o incita a trabalhar arduamente: deverá construir a capela e a tumba dos Medicis, sendo-lhe paga uma pensão mensal três vezes superior à que o artista exigira. Mas o destino insiste em turvar seus raros momentos de tranquilidade: em 1527, a guerra eclode em Florença e Michelangelo, depois de ajudar a projetar as defesas da cidade, prefere fugir, exilando-se por algum tempo em Veneza. Restabelecida a paz, o Papa Clemente, fiel a seu nome, perdoa- Michelangelo, pintor, escultor, poeta, arquitecto, génio italiano. Ele revolucionou a concepção da pintura mural com os afrescos da Capela Sistina; escultor insuperável que, ao lado de Donatello e Verrochio, elevou a escultura italiana a um nível espectacular, atingido apenas pelos gregos. Génio!!!
Michelangelo nasceu a 6 de março de 1475, em Caprese, província florentina. Seu pai, Lodovico di Lionardo Buonarroti Simoni, era um homem violento, "temente de Deus". Sua mãe, Francesca di Neri di Miniato del Sera, morreu quando Michelangelo tinha seis anos. Eram cinco irmãos: Leonardo, Michelangelo, Buonarroto, João Simão e Sigismundo.
Michelangelo foi entregue aos cuidados de uma ama de leite cujo marido era cortador de mármore da aldeia vizinha de Settignano. Mais tarde, brincando, Michelangelo atribuirá a esse fato sua vocação de escultor. Brincadeira ou não, o certo é que na escola enchia os cadernos de exercícios com desenhos, totalmente desinteressado das lições sobre outras matérias. Por causa disso, mais de uma vez foi espancado pelo pai e pelos irmãos de seu pai, a quem parecia vergonhoso ter um artista na família, justamente uma família de velha e aristocrática linhagem florentina, mencionada nas crônicas locais desde o século XII. E o orgulho familiar jamais abandonará Michelangelo. Ele preferirá a qualquer título, mesmo o mais honroso, a simplicidade altiva de seu nome: "Não sou o escultor Michelangelo. Sou Michelangelo Buonarroti."Aos 13 anos, sua obstinação vence a do pai: ingressa, como aprendiz, no estúdio de Domenico Ghirlandaio, já então considerado mestre da pintura de Florença. Mas o aprendizado é breve, cerca de um ano, pois Michelangelo irrita-se com o ritmo do ensino, que lhe parece moroso, e além disso considera a pintura uma arte limitada: o que busca é uma expressão mais ampla e monumental. Diz-se também que o motivo da saída do jovem foi outro: seus primeiros trabalhos revelaram-se tão bons que o professor, enciumado, preferiu afastar o aluno. Entretanto nenhuma prova confirma essa versão.
Deixando Ghirlandaio, Michelangelo entra para a escola de escultura que o mecenas Lourenço, o Magnífico, riquíssimo banqueiro e potector das artes em Florença, mantinha nos jardins de São Marcos. Lourenço interessa-se pelo novo estudante: aloja-o no palácio, faz com que sente à mesa de seus filhos. Michelangelo está em pleno ambiente físico e cultural do Renascimento italiano. A atmosfera, poética e erudita, evoca a magnificência da Grécia antiga, seu ideal de beleza - baseado no equilíbrio das formas -, sua concepção de mundo - a filosofia de Platão, Michelangelo adere plenamente a esse mundo. Ao produzir O Combate dos Centauros, baixo-relevo de tema mitológico, sente-se não um artista italiano inspirado nos padrões clássicos helénicos, mas um escultor grego da verdade. Em seu primeiro trabalho na pedra, com seus frisos de adolescentes atléticos e distantes, reinam a força e a beleza impassíveis, como divindades do Olimpo.
Na Igreja del Carmine, Michelangelo copia os afrescos de Masaccio. Nos jardins de Lourenço, participa de requintadas conversas sobre filosofia e estética. Mas seu temperamento irônico, sua impaciência com a mediocridade e com a lentidão dos colegas, lhe valem o primeiro - e irreparável - choque com a hostilidade tios invejosos. Ao ridicularizar o trabalho de um companheiro, Torrigiano dei Torrigiani - vaidoso e agressivo -, este desfechou-lhe um golpe tão violento no rosto que lhe achatou para sempre o nariz. Mancha que nunca mais se apagará da sua sensibilidade e da sua retina, a pequena deformação lhe parecerá daí por diante um estigma - o de um mundo que o escorraça por não aceitar a grandeza do seu génio - e também uma mutilação ainda mais dolorosa para quem, como ele, era um sofisticado esteta, que considerava a beleza do corpo uma legítima encarnação divina na forma passageira do ser humano.
Em 1490, Michelangelo tem 15 anos. É o ano em que o monge Savonarola começa a inflamada pregação mística que o levará ao governo de Florença. O anúncio de que a ira Deus em breve desceria sobre a cidade atemoriza o jovem artista: sonhos e terrores apocalípticos povoam suas noites. Lourenço, o Magnífico, morre em 1492. Michelangelo deixa o palácio. A revolução estoura em 1494. Michelangelo, um mês antes, fugira para Veneza.
Longe do caos em que se convertera a aristocrática cidade dos Medicis, Michelangelo se acalma. Passa o inverno em Bolonha, esquece Savonarola e suas profecias, redescobre a beleza do mundo. Lê Petrarca, Boccaccio e Dante. Na primavera do ano seguinte, passa novamente por Florença. Esculpe o Cupido Adormecido - obra "pagã" num ambiente tomado de fervor religioso - vai a Roma, onde esculpe Baco Bêbedo, Adônis Morrendo. Enquanto isso, em Florença, Savonarola faz queimar livros e quadros - " as vaidades e os anátemas".Logo, porém, a situação se inverte. Os partidários do monge começam a ser perseguidos. Entre eles, está um irmão de Michelangelo, Leonardo - que também se fizera monge durante as prédicas de Savonarola. Michelangelo não volta. Em 1498, Savonarola é queimado. Michelangelo se cala. Nenhuma de suas cartas faz menção a esses fatos. Mas esculpe a Pietà, onde uma melancolia indescritível envolve as figuras belas e clássicas. A tristeza instalara-se em Michelangelo. Na primavera de 1501, veio por fim a Florença. Nesse mesmo ano, surgirá de suas mãos a primeira obra madura. Um gigantesco bloco de mármore jazia abandonado há 40 anos no recinto pertencente à catedral da cidade. Tinha sido entregue ao escultor Duccio, que nele deveria talhar a figura de um profeta, Duccio porém faleceu repentinamente e o mármore ficou à espera. Michelangelo decidiu trabalhá-lo. O resultado foi o colossal Davi, símbolo de sua luta contra o Destino, como Davi ante Golias. Uma comissão de artistas, entre os quais estavam nada menos que Leonardo da Vinci, Botticelli, Filippino Lippi e Perugino, interroga Michelangelo sobre o lugar onde deveria ficar a estátua que deslumbra a todos que a contemplam. A resposta do mestre é segura: na praça central de Florença, defronte ao Palácio da Senhoria. E para esse local a obra foi transportada. Entretanto, o povo da cidade, chocado com a nudez da figura, lapidou a estátua, em nome da moral.
Da mesma época data a primeira pintura (que se conheça) de Michelangelo. Trata-se de um tondo - pintura circular - cujas formas e cores fariam com que, posteriormente, os críticos o definissem como obra precursora da escola "maneirista". É A Sagrada Família. Pode-se ver que, mesmo com o pincel, Michelangelo não deixa de ser escultor. Ou, como ele próprio dizia: "Uma pintura é tanto melhor quanto mais se aproxime do relvo". Em março de 1505, Michelangelo é chamado a Roma pelo Papa Júlio II. Começa então o período heróico de sua vida.
A idéia de Júlio II era a de mandar construir para si uma tumba monumental que recordasse a magnificência da antiga Roma com seus mausoléus suntuosos e solenes. Michelangelo aceita a incumbência com entusiasmo e durante oito meses fica em Carrara, meditando sobre o esquema da obra e seleccionando os mármores que nela seriam empregados. Enormes blocos de pedra começam a chegar a Roma e se acumulam na Praça de São Pedro, no Vaticano. O assombro do povo mistura-se à vaidade do papa. E à inveja de outros artistas. Bramante de Urbino, arquitecto de Júlio II, que fora frequentes vezes criticado com palavras sarcásticas por Michelangelo, consegue persuadir o papa a que desista do projeto e o substitua por outro: a reconstrução da Praça de São Pedro. Em janeiro de l506, Sua Santidade aceita os conselhos de Bramante. Sem sequer consultar Michelangelo, decide suspender tudo: o artista está humilhado e cheio de dívidas.
Michelangelo parte de Roma. No dia seguinte, Bramante, vitorioso, começa a edificação da praça. No entanto, Júlio II quer o mestre de volta. Esse recusa, tergiversa. Finalmente, encontra-se com o papa em Bolonha e pede-lhe perdão por ter-se ido.
Uma nova incumbência aguarda Michelangelo: executar uma colossal estátua de bronze para ser erguida em Bolonha. São inúteis os protestos do artista de que nada entende da fundição desse metal. Que aprenda, responde-lhe o caprichoso papa. Durante 15 meses, Michelangelo vive mil acidentes na criação da obra. Escreve ao irmão: "Mal tenho tempo de comer. Dia e noite, só penso no trabalho. Já passei por tais sofrimentos e ainda passo por outros que, acredito, se tivesse de fazer a estátua mais uma vez, minha vida não seria suficiente: é trabalho para um gigante."
O resultado não compensou. A estátua de Júlio II, erguida em fevereiro de 1508 diante da igreja de São Petrônio, teria apenas quatro anos de vida. Em dezembro de 1511, foi destruída por uma facção política inimiga do papa e seus escombros vendidos a um certo Alfonso d'Este, que deles fez um canhão.
De regresso a Roma, Michelangelo deve responder a novo capricho de Júlio II: decorar a Capela Sistina. O fato de que o mestre era antes de tudo um escultor não familiarizado com as técnicas do afresco não entrava nas cogitações do papa. Todas as tentativas de fugir à encomenda são inúteis. O Santo Padre insiste - segundo alguns críticos, manejado habilmente por Bramante que, dessa forma, desejaria arruinar para sempre a carreira de Michelangelo - e o artista acaba cedendo mais uma vez. A incumbência - insólita e extravagante - é aceita.
Dia 10 de maio de 1508, começa o gigantesco trabalho. A primeira atitude do artista é recusar o andaime construído especialmente para a obra por Bramante. Determina que se faça outro, segundo suas próprias idéias. Em segundo lugar, manda embora os pintores que lhe haviam sido dados como ajudantes e instrutores na técnica do afresco. Terceiro, resolve pintar não só a cúpula da capela mas também suas paredes. É a fase de Michelangelo herói. Herói trágico. Tal como Prometeu, rouba ao Olimpo o fogo de sua genial inspiração, embora os abutres das vicissitudes humanas não deixem de acossá-lo. O trabalho avança muito lentamente. Durante mais de um ano, o papa não lhe paga um cêntimo sequer. Sua família o atormenta com constantes pedidos de dinheiro. A substância frágil das paredes faz logo derreter as primeiras figuras que esboçara. Impaciente com a demora da obra, o papa constantemente vem perturbar a concentração do artista para saber se o projecto frutificava. O diálogo é sempre o mesmo: "Quando estará pronta a minha capela?" - "Quando eu puder!" Irritado, Júlio II faz toda a sorte de ameaças. Chega a agredir o artista a golpes de bengala. Michelangelo tenta fugir de Roma. O papa pede desculpas e faz com que lhe seja entregue - por fim - a soma de 100 ducados. O artista retoma a tarefa.
No dia de Finados de 1512, Michelangelo retira os andaimes que encobriam a perspectiva total da obra e admite o papa à capela. A decoração estava pronta. A data dedicada aos mortos convinha bem à inauguração dessa pintura terrível, plena do Espírito do Deus que cria e que mata. Todo o Antigo Testamento está aí retratado em centenas de figuras e imagens dramáticas, de incomparável vigor e originalidade de concepção: o corpo vigoroso de Deus retorcido e retesado no ato supremo da criação do Universo; Adão que recebe do Senhor o toque vivificador de Sua mão estendida, tocando os dedos ainda inertes do primeiro homem; Adão e Eva expulsos do Paraíso a embriaguez de Noé e o Dilúvio Universal; os episódios bíblicos da história do povo hebreu e os profetas que anunciam o Messias.
São visões de um esplendor nunca dantes sonhado, imagens de beleza e genialidade, momentos supremos do poder criador do homem. No olhar de Júlio II naquele dia de Finados de 1512 já se prenunciavam os olhares de milhões de pessoas que, ao longo dos séculos e vindas de todas as partes do mundo, gente de todas as raças, de todas as religiões, de todas as ideologias políticas, se deslumbrarão diante da mais célebre obra de arte do mundo ocidental.Vencedor e vencido, glorioso e alquebrado, Michelangelo regressa a Florença. Vivendo em retiro, dedica-se a recobrar as forças minadas pelo prolongado trabalho; a vista fora especialmente afetada e o mestre cuida então de repousá-la. Mas o repouso é breve: sempre inquieto, Michelangelo volta a entregar-se ao projeto que jamais deixara de amar; o túmulo monumental de Júlio II. Morto o papa em fevereiro de 1513, no mês seguinte o artista assina um contrato comprometendo-se a executar a obra em sete anos. Dela fariam parte 32 grandes estátuas. Uma logo fica pronta. É o Moisés - considerada a sua mais perfeita obra de escultura. Segue-se outra, Os Escravos, que se acha no Museu do Louvre, doada ao soberano Francisco I pelo florentino Roberto Strozzi, exilado na França, que por sua vez a recebera diretamente do mestre em 1546.
Como breve foi o repouso, breve foi a paz. O novo papa, Leão X, decide emular seu antecessor como potector das artes. Chama Michelangelo e oferece-lhe a edificação da fachada da Igreja de São Lourenço, em Florença. E o artista, estimulado por sua rivalidade com Raffaello - que se aproveitara de sua ausência e da morte de Bramante para tornar-se o soberano da arte em Roma -, aceita o convite, sabendo que precisaria suspender os trabalhos relacionados com a tumba de Júlio II. O pior, porém, é que após anos de esforços ingentíssimos, após mil e uma dificuldades, Leão X anulou o contrato com o artista.lhe os "desvarios"" políticos e o estimula a reencetar o trabalho da Capela dos Medicis. Com furor c desespero, Michelangelo dedica-se à obra. Quando o interrogam sobre a escassa semelhança das estátuas com os membros da poderosa família, ele dá de ombros; "Quem perceberá este detalhe daqui a dez séculos?".
Uma a uma emergem de suas mãos miraculosas as alegorias da Ação, do Pensamento e as quatro estátuas da base: O Dia, A Noite, A Aurora e O Crepúsculo, terminadas em 1531, Toda a amargura de suas desilusões, a angústia dos dias perdidos e das esperanças arruinadas, toda a melancolia e todo o pessimismo reflectem-se nessas obras magníficas e sombrias.
Com a morte de Clemente VII em 1534, Michelangelo - odiado pelo Duque Alexandre de Medicis - abandona mais uma vez Florença. Agora, porém, seu exílio em Roma será definitivo. Nunca mais seus olhos contemplarão a cidade que tanto amou. Vinte e um anos haviam passado desde sua última estada em Roma: nesse período, produzira três estátuas do monumento inacabado de Júlio II, sete estátuas inacabadas do monumento inacabado dos Medicis, a fachada inacabada da Igreja de São Lourenço, o Cristo inacabado da Igreja de Santa Maria sobre Minerva e um Apolo inacabado para Baccio Valori.
Nesses vinte e um anos, perdeu a saúde, a energia, a fé na arte e na pátria. Nada parecia mantê-lo vivo: nem a criação, nem a ambição, nela a esperança. Michelangelo tem 60 anos e um desejo: morrer.
Roma, entretanto, lhe trará novo alento: a amizade com Tommaso dei Cavalieri e com a Marquesa Vittoria Colonna, afastando-o do tormento e da solidão, permite-lhe aceitar a oferta de Paulo III, que o nomeia arquitecto-chefe, escultor e pintor do palácio apostólico. De 1536 a 1541, Michelangelo pinta os afrescos do Juízo Universal na Capela Sistina. Nada melhor que suas próprias idéias sobre pintura para definir essa obra e o homem que a criou: "A boa pintura aproxima-se de Deus e une-se a Ele... Não é mais do que uma cópia das suas perfeições, uma sombra do seu pincel, sua música, sua melodia... Por isso não basta que o pintor seja um grande e hábil mestre de seu ofício. Penso ser mais importante a pureza e a santidade de sua vida, tanto quanto possível, a fim de que o Espírito Santo guie seus pensamentos..."
Terminados os afrescos da Sistina, Michelangelo crê enfim poder acabar o monumento de Júlio II. Mas o papa, insaciável, exige que o ancião de 70 anos pinte os afrescos da Capela Paulina - A Crucifixão de São Pedro e A Conversão de São Paulo. Concluídas em 1550, foram suas últimas pinturas. Durante todo esse tempo, os herdeiros do Papa Júlio II não cessaram de perseguir o artista pelo não cumprimento dos vários contratos por ele assinados para o término da obra. O quinto contrato seria cumprido. Em janeiro de 1545, inaugurava-se o monumento. O que restara do plano primitivo? Apenas o Moisés, no início um detalhe do projeto, agora o centro do monumento executado. De qualquer forma, Michelangelo estava livre do pesadelo de toda a sua vida.
Os últimos anos do mestre ainda foram fecundos, embora numa actividade diferente: a arquitetura. Dedicou-se ao projceto de São Pedro, tarefa que lhe custou exaustivos esforços devido às intrigas que lhe tramaram seus acirrados inimigos. Projectou também o Capitólio - onde se reúne o Senado italiano - e a Igreja de São João dos Florentinos (cujos planos se perderam).
Ainda encontra energias para esculpir. Renegando cada vez mais o mundo, Michelangelo busca uma união mística com o Cristo. Sua criação, como a de Botticelli no final da vida, é toda voltada para as cenas da Paixão. De pé, aos 88 anos de idade, ele elabora penosa e amorosamente uma Pietà, até que a doença o acorrente em definitivo ao leito, onde - com absoluta lucidez - dita um testamento comovente, pedindo "regressar pelo menos já morto" à sua adorada e inesquecível Florença, doando sua alma a Deus e seu corpo à terra. O seu génio, ele já o tinha legado à humanidade.
 


Giotto

Artes Pásticas
Giotto di Bondone (c.1267-1337, Florença) foi reconhecido, já durante a sua vida, como o grande renovador da pintura italiana e, para muitos teóricos e historiadores desde então, como o pai da pintura moderna ocidental.
Dante cita-o na
Divina Comédia, dizendo ele haver superado Cimabue, seu mestre. Vasari (1511-74), o pai da História da Arte, afirma que os pintores do Renascimento aprenderam tanto com Giotto quanto aprenderam com o estudo da natureza.
Entretanto, a vida de Giotto segue envolta em mistério e lenda. O próprio Vasari foi responsável por disseminar muitas das informações lendárias sobre o pintor florentino. Conta Vasari que Giotto era um jovem pastor de ovelhas, cujo passatempo era fazer pequenos esboços dos animais enquanto os apascentava. Um dia, passando por ali em viagem de negócios, o grande mestre da arte de então, Cimabue, encantou-se com a habilidade do menino e o convidou a trabalhar com ele em Florença. Ainda segundo Vasari, em pouco tempo de aprendizado, o jovem pastorzinho superou o mestre na arte do desenho.
Lenda ou não, o fato é que não há qualquer documentação que comprove ser da autoria de Giotto qualquer obra a ele atribuída. Dois dos conjuntos de pinturas que são consideradas realizadas por ele, a Capela Scrovegni em Florença e a Igreja de São Francisco em Assis, têm tão grandes diferenças no estilo que muitos historiadores não admitem terem sido feitas pela mesma pessoa. Desvendar a autoria de Giotto é uma das maiores controvérsias na história da arte atual.
Mesmo assim, ele é considerado o iniciador da
era da pintura na arte ocidental. Torna a pintura uma arte maior paralelamente à longa tradição escultórica gótica e mosaicista bizantina. A grande arte gótica dos séculos XII e XIII tinha sido a escultura, especialmente na decoração dos tímpanos das catedrais francesas. Do mesmo modo, a tradição decorativa bizantina, especialmente em Ravena, havia sido o mosaico. Após Giotto, a pintura recobra seu lugar de destaque entre as artes, chegando a ser considerada, durante os anos posteriores no Renascimento e no Barroco, a maior arte de todas.
A maior habilidade de Giotto está em unir um senso de realidade inédito na arte da época somado à capacidade de produzir ilustrações extremamente expressivas e humanas do texto bíblico. Como veremos em detalhe, suas pinturas causavam grande assombro entre seus contemporâneos, dada a sua grande semelhança com o mundo visível. Por outro lado, a caracterização que fez de São Francisco é considerada uma grande influência no modo como a posteridade imaginou a figura do santo católico.
Fonte: Movimento Cidadãos Por Góis.

Artes Plásticas
História das Artes Plásticas, Fases Artísticas, Arte Pré-Histórica, Arte Egípcia, Arte Grega, Arte Romana, Arte Bizantina, Arte Medieval, Arte Renascentista, Barroco, Romantismo, Realismo, Expressionismo, arte abstrata.
arte rupestre - pintura rupestre
Pintura rupestre: origem das artes plásticas  Arte na Pré-História
As primeiras obras de arte datam do período Paleolítico. Entre as obras mais antigas já encontradas estão pequenas estátuas humanas como, por exemplo,  a Vênus de Willendorf (aproximadamente 25000 a.C.). Os mais conhecidos conjuntos de pinturas em cavernas ( arte rupestre ) estão em Altamira, na Espanha e datam de 30000 a.C. a 12000 a.C.; e em Lascaux, na França  de 15000 a.C. a 10000 a.C. , onde se encontram pinturas rupestres de animais pré-históricos como: cavalos, bisões, rinocerontes. Estas pinturas indicam rituais pré-históricos ligados à caça. As imagens demonstram um  naturalismo e evoluem da monocromia à policromia entre os anos de 15000 a.C. a 9000 a.C.
Arte Mesopotâmica
Na região entre os rios Tigre e Eufrates desenvolveu-se a civilização mesopotâmica.  Nesta região, sumérios, babilônios, assírios, caldeus e outros povos desenvolveram uma arte que demonstra a religiosidade e o poder dos governantes. São touros alados, estatuetas de olhos circulares, relevos em paredes representando guerras e conquistas militares e animais e pictogramas representando fatos da realidade daqueles povos.
Arte do Egito
 No Antigo Egito as obras de arte possuíam um possui forte caráter religioso e funerário.Essas características podem ser explicadas em função da crença que os egípcios tinha na vida após a morte. Há representações artísticas de deuses, faraós e animais explicadas por textos em escrita hieroglífica. As pinturas eram feitas nas paredes das pirâmides ou em papiros. Representavam o cotidiano da nobreza ou tratava de assuntos do cotidiano. Uma das características principais da arte egípcia é o desenho chapado, de perfil e sem perspectiva artística.
Arte na Grécia Antiga
A cultura e a arte minóica desenvolveu-se na ilha grega de Creta. Nas pinturas dos murais as cores diversificadas mostram-se fortes e vivas. Desenhos de touros, imagens abstratas, símbolos marinhos e animais ilustram a cerâmica.
O período clássico da arte grega é a época de maior expressão da arte grega. A natureza é retratada com equilíbrio e as formas aproximam-se da realidade. A perspectiva aparece de forma intensa nas pinturas gregas deste período. Nas esculturas de bronze e mármore, destacam-se a harmonia e a realidade. Os principais escultores são Mirón, Policleto, Fídias, Praxíteles. A arquitetura e a ornamentação de templos religiosos, como o Partenon, a acrópole de Atenas  e o templo de Zeus na cidade de Olímpia mostram força e características expressivas.
No período helenístico, ocorre a fusão entre as artes grega e oriental. A arte grega assume aspectos da realidade, fruto do domínio persa. Nas esculturas verifica-se dramaticidade e as formas decorativas em excesso. Entre as obras mais representativas deste período estão: Vitória da Samotrácia , Vênus de Milo e o templo de Zeus, em na cidade de Pérgamo.
Arte Romana do Ocidente e do Oriente (Arte Bizantina )
Com forte influência dos etruscos, a arte romana antiga seguiu os modelos e elementos artísticos e culturais  dos gregos e chega a "copiar" estátuas clássicas. É a época da construção de monumentos públicos em homenagem aos imperadores romanos. A pintura mural recorre ao efeito tridimensional. Os afrescos da cidade de Pompéia (soterrada pelo vulcão Vesúvio em I a.C.) são representativos deste período.
No Império Romano do Oriente ( Império Bizantino ) com capital em Constantinopla (antiga Bizâncio), aparece a arte bizantina, sob forte  influência da Grécia . Podemos destacar as pinturas murais, os manuscritos, os ícones religiosos e os mosaicos de cores fortes e brilhantes, carregados de profundo caráter religioso.
Arte Renascentista: O Renascimento Cultural (séculos XV e XVI)
Os elementos artísticos da Antiguidade clássica voltam a servir de referência cultural e artística. O humanismo coloca o homem como centro do universo ( antropocentrismo ). São características desta época : uso da técnica de  perspectiva, uso de conhecimentos científicos e matemáticos para reproduzir a natureza com fidelidade. Na pintura, novas técnicas passam a ser utilizadas : uso da tinta a óleo, por exemplo, buscava aumentar a ilusão de realidade.
A escultura renascentista é marcada pela expressividade e pelo naturalismo. A xilogravura passa a ser muito utilizada nesta época. Entre as pinturas destacam-se:  O Casal Arnolfini, de Jan van Eyck; A Alegoria da Primavera, de Sandro Boticcelli; A Virgem dos Rochedos, Monalisa e A Última Ceia de Leonardo da Vinci; A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio; o teto da Capela Sistina e a escultura Davi de Michelangelo Buonarotti.
Maneirismo (século XVI)
Ao romper com as referências clássicas de idealização da beleza, o maneirismo diferencia-se por suas imagens distorcidas e alongadas. A natureza é representada de forma distorcida e realista, sendo que as figuras bizarras aparecem com freqüência. Obras mais importantes do maneirismo: O Juízo Final, de Michelangelo; A Crucificação, de Tintoretto; e O Enterro do Conde de Orgaz, de El Greco
Barroco: arte barroca (1600 a 1750)
A arte barroca destaca a cor e não o formato do desenho. As técnicas utilizadas dão um sentido de movimento ao desenho. Os efeitos de luz e sombra são utilizados constantemente como um recurso para dar vida e realidade à obra. Os temas que mais aparecem são: a paisagem, a natureza-morta e cenas da vida cotidiana. 
Obras barrocas mais conhecidas: A Ceia em Emaús, de Caravaggio; A Descida da Cruz, de Peter Paul Rubens; A Ronda Noturna, de Rembrandt; O Êxtase de Santa Teresa, de Gian Lorenzo Bernini; As Meninas, de Diego Velásquez; e Vista de Delft, de Jan Vermeer. 
Rococó (1730 a 1800)
O estilo rococó é marcado por pinturas com tons claros, com linhas curvas e arabescos. O estilo é bem decorativo e a sensualidade aparece em destaque. Os afrescos ganham importância e são utilizados na decoração de ambientes interiores.
Artistas mais importantes do rococó: Jean-Antoine Watteau, Giovanni Battista Tiepolo, François Boucher e Jean-Honoré Fragonard. 
Neoclassicismo (1750 a 1820)
Novamente os elementos e valores da arte clássica ( grega e romana ) são resgatadas.. Há uma incidência maior do desenho e da linha sobre a cor. O heroísmo e o civismo são temas muito explorados neste período.
Principais obras: Perseu com a Cabeça da Medusa, de Antonio Canova; O Parnaso, de Anton Raphael Mengs; O Juramento dos Horácios e A Morte de Sócrates, de Jacques-Louis David; e A Banhista de Valpinçon, de Jean-Auguste-Dominique Ingres. 
Romantismo nas artes plásticas (De 1790 a 1850)
Subjetividade e introspecção, sentimentos e sensações são características deste período. A literatura romântica, os elementos da natureza e o passado são retratados de forma intensa no romantismo.São representantes desta época o artista Francisco Goya y Lucientes. Algumas de suas principais pinturas são: A Família de Carlos IV, O Colosso e Os Fuzilamentos do Três de Maio de 1808. Outras obras românticas : A Balsa da Medusa, de Théodore Géricault; A Carroça de Feno, de John Constable; A Morte de Sardanapalo, de Eugène Delacroix; e O Combatente Téméraire, de Joseph William Turner. 
Realismo (De 1848 a 1875)
O realismo destaca a realidade física através da objetividade científica e crua. Estas obras são inspiradas pela vida cotidiana e pela paisagem natural. Aparecem fortes críticas sociais e elementos do erotismo, provocando criticas dos setores conservadores da sociedade européia do século XIX. Principais pinturas: Enterro em Ornans, de Gustave Courbet; Vagão de Terceira Classe, de Honoré Daumier; e Almoço na Relva, de Édouard Manet
Impressionismo (De 1880 a 1900)
Através da luz e da cor os artistas do impressionismo buscam atingir a realidade. As obras são feitas ao ar livre para aproveitar a luz natural. Obras mais conhecidas: Impressão, Nascer do Sol, de Claude Monet, A Aula de Dança, de Edgar Degas; e O Almoço dos Remadores, de Auguste Renoir
Pós-impressionismo
É o período marcado pelas experimentações  individuais. Os artistas buscam a realidade e imitam a natureza, utilizando recursos de luz e cor. O cromatismo é muito utilizado.As cores mais intensas são exploradas por Vincent Van Gogh com pinceladas fortes e explosivas, como em Noite Estrelada. Henri de Toulouse-Lautrec usa a técnica da litogravura.
Expressionismo
Artistas plásticos de diferentes períodos são considerados precursores do expressionismo, entre eles Goya, Van Gogh, Gauguin e James Ensor. O expressionismo pode ser considerado como uma postura assumida em diversas formas de manifestação artística durante o século XX. Vários artistas desta trabalham nessa linha, sem ligar-se a movimentos ou a grupos. Podemos citar alguns: Edvard Munch, Emil Nolde, Amedeo Modigliani, Oskar Kokoschka, Egon Schiele, Chaim Soutine, Alberto Giacometti e Francis Bacon.
Cubismo ( De 1908 a 1915 )
Este estilo rompeu com os elementos artísticos tradicionais ao apresentar diversos pontos de vista em uma mesma obra de arte. As formas geométricas são utilizadas muitas vezes para representar figuras humanas. Recortes de jornais, revistas e fotos são recursos utilizados neste período. São obras representativas desta época: Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso, e Casas em L'Estaque, de Georges Braque.  
Dadaísmo  (Décadas de 1910 a 1920)
Revolucionário, anárquico e anticapitalista, o dadaísmo, prega o absurdo, o sarcasmo, a sátira crítica e o uso de diversas linguagens, como pintura, poesia, escultura, fotografia e teatro. Destacam-se os artísticas: Hugo Ball, Hans Arp, Francis Picabia, Marcel Duchamp, Max Ernst, Kurt Schwitters, George Grosz e Man Ray.  
Arte Surrealista (Década de 1920)
Os artistas exploram o inconsciente e as imagens  que não são controladas pela razão. O surrealismo usa associações irreais, bizarras e provocativas. O rompimento com as noções tradicionais da perspectiva e da proporcionalidade resulta em imagens estranhas e fora da realidade.
Obras: Auto-Retrato com Sete Dedos, de Marc Chagall; O Carnaval do Arlequim, de Joan Miró; A Persistência da Memória, de Salvador Dalí; A Traição das Imagens, de René Magritte; e Uma Semana de Bondade, de Max Ernst, são algumas das obras mais representativas. 
Pop Art  (Década de 1950)
As histórias em quadrinhos e a mídia visual e impressa são os elementos de referência da pop art. Humor e crítica ao consumismo são constantes nas obras de pop art. Artistas mais conhecidos: Richard Hamilton, Allen Jones, Robert Rauschenberg, Jasper Johns, Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Tom Wesselman, Jim Dine, David Hockney e Claes Oldenburg.
Arte Conceitual  (Década de 1960)
Textos, imagens e objetos são as referências artísticas deste tipo de arte. A obra deve ser valorizada por si só. Um dos meios preferidos dos artistas conceituais é a instalação, ou seja, um espaço de interação entre a obra e o espectador. Até mesmo a televisão e o vídeo são usados nas instalações. Destacam-se os seguintes artistas: Joseph Beuys, Joseph Kosuth, Daniel Buren, Sol Le-Witt (principal representante do Minimalismo) e Marcel Broodthaers, Nam June Paik, Vito Acconci, Bill Viola, Bruce Naumann, Gary Hill, Bruce Yonemoto e William Wegman. 
Você sabia?
- Comemora-se em 8 de maio de cada ano o Dia do Artista Plástico. 
Fonte: Sua Pesquisa
Arte Grega 
Características da arte grega, escultura, pintura, arquitetura na Grécia Antiga, história da arte grega
arte grega - vaso grego
Vaso grego com pinturas
 
Introdução

Os gregos antigos se destacaram muito no mundo das artes. As esculturas, pinturas e obras de arquitetura impressionam, até os dias de hoje, pela beleza e perfeição.
Os artistas gregos buscavam representar, através das artes, cenas do cotidiano grego, acontecimentos históricos e, principalmente, temas religiosos e mitológicos. As grandes obras de arquitetura como os templos, por exemplo, eram erguidos em homenagem aos deuses gregos.

Arquitetura Grega 

Um dos templos gregos mais conhecidos é a Acrópole de Atenas, que foi construído no ponto mais alto da cidade, entre os anos de 447 a 438 a.C. Além das funções religiosas, o templo era utilizado também como ponto de observação militar. As colunas deste templo seguiram o estilo arquitetônico dórico (veja abaixo).

A arquitetura grega antiga pode ser dividida em três estilos:

1 – Coríntio -  pouco utilizado pelos arquitetos gregos, caracterizava-se pelo excesso de detalhes. Os capitéis das colunas eram, geralmente, decorados com folhas.
2 – Dórico - estilo com poucos detalhes, transmitindo uma sensação de firmeza.
3 – Jônico - este estilo transmitia leveza, em função dos desenhos apresentados, principalmente nas colunas das construções. Outra característica deste estilo era o uso de base circular.
Exemplos de construções da Grécia Antiga:
- Estátua de Zeus em Olímpia
- Parneton de Atenas
- Colosso de Rodes
- Tempo de Ártemis em Éfeso
- Farol de Alexandria
Pintura Grega 

A pintura grega também foi muito importante nas artes da Grécia Antiga. Os pintores gregos representavam cenas cotidianas, batalhas, religião, mitologias e outros aspectos da cultura grega. Os vasos, geralmente de cor preta, eram muito utilizados neste tipo de representação artística. Estes artistas também pintavam em paredes, principalmente de templos e palácios.
Escultura Grega

As esculturas gregas transmitem uma forte noção de realismo, pois os escultores gregos buscavam aproximar suas obras ao máximo do real, utilizando recursos e detalhes. Nervos, músculos, veias, expressões e sentimentos são observados nas esculturas. A temática mais usada foi a religiosa, principalmente, representações de deuses e deusas. Cenas do cotidiano, mitos e atividades esportivas (principalmente relacionadas às Olimpíadas) também foram abordadas pelos escultores gregos.
Influência na arte romana 
Quando dominaram a Grécia, os romanos ficaram tão admirados com a arte grega que buscaram "imitar" o estílo artístico grego. Basta observarmos os detalhes das esculturas e obras arquitetônicas romanas para percebermos as semelhanças.  
Fonte: Sua Pesquisa

Pintura


Rembrandt, O artista em seu estúdio, 1626-28. Representação do estúdio de um pintor no século XVII
A pintura refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento em forma líquida a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas.
Em um sentido mais específico, é a arte de pintar uma superfície, tais como papel, tela, ou uma parede (pintura mural ou de afrescos). A pintura a óleo é considerada por muitos como um dos suportes artísticos tradicionais mais importantes; muitas das obras de arte mais importantes do mundo, tais como a Mona Lisa, são pinturas a óleo.
Diferencia-se do desenho pelo uso dos pigmentos líquidos e do uso constante da cor, enquanto aquele apropria-se principalmente de materiais secos.
No entanto, há controvérsias sobre essa definição de pintura. Com a variedade de experiências entre diferentes meios e o uso da tecnologia digital, a idéia de que pintura não precisa se limitar à aplicação do "pigmento em forma líquida". Atualmente o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual através das cores. Mesmo assim, a definição tradicional de pintura não deve ser ignorada. O concernente à pintura é pictural, pictórico, pinturesco, ou pitoresco.

Cor

Na pintura o elemento fundamental é a cor. A relação formal entre as massas coloridas presentes em uma obra constitui sua estrutura fundamental, guiando o olhar do espectador e propondo-lhe sensações de calor, frio, percepção da profundidade, sombra, entre outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da História da Arte e sua explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos. A cor é considerada por muitos como a base da imagem.

História

A pintura acompanha o ser humano por toda a sua história. Ainda que durante o período grego clássico não tenha se desenvolvido tanto quanto a escultura, a Pintura foi uma das principais formas de representação dos povos medievais, do Renascimento até o século XX.
Mas é a partir do século XIX com o crescimento da técnica de reprodução de imagens, graças à Revolução Industrial, que a pintura de cavalete perde o espaço que tinha no mercado. Até então a gravura era a única forma de reprodução de imagens, trabalho muitas vezes realizado por pintores. Mas com o surgimento da fotografia, a função principal da pintura de cavalete, a representação de imagens, enfrenta uma competição difícil. Essa é, de certa maneira, a crise da imagem única e o apogeu de reprodução em massa.
No século XX a pintura de cavalete se mantém através da difusão da galeria de arte. Mas a técnica da pintura continua a ser valorizada por vários tipos de designers (ilustradores, estilistas, etc.), especialmente na publicidade. Várias formas de reprodução técnica surgem nesse século, como o vídeo e diversos avanços na produção gráfica.
A longo do século XX vários artistas experimentam com a pintura e a fotografia, criando colagens e gravuras, artistas como os dadaístas e os membros do pop art, só para mencionar alguns. Mas é com o advento da computação gráfica que a técnica da pintura se une completamente à fotografia. A imagem digital, por ser composta por pixels, é um suporte em que se pode misturar as técnicas de pintura, desenho, escultura (3D) e fotografia.
A partir da revolução da arte moderna e das novas tecnologias, os pintores adaptaram técnicas tradicionais ou as abandonaram , criando novas formas de representação e expressão visual.

[editar] Pintura figurativa e abstrata

Quando o artista pretende pintar num quadro uma realidade que é familiar, natural e sensível ou interna, a pintura é essencialmente a representação pictórica de um tema: é uma pintura figurativa. O tema pode ser uma paisagem (natural ou imaginada), uma natureza morta, uma cena mitológica ou cotidiana, mas independente disto a pintura manifestar-se-á como um conjunto de cores e luz. Esta foi praticamente a única abordagem dada ao problema em toda a arte ocidental até meados do início do século XX.
A partir das pesquisas de Paul Cézanne, os artistas começaram a perceber que era possível lidar com realidades que não necessariamente as externas, dialogando com características dos elementos que são próprios da pintura, como a cor, a luz e o desenho. Com o aprofundamento destas pesquisas, Wassily Kandinsky chegou à abstração total em 1917. A pintura abstrata não procura retratar objetos ou paisagens, pois está inserida em uma realidade própria.
A abstração pode ser, porém, construída, manifestando-se em uma realidade concreta porém artificial. Esta foi a abordagem dos construtivistas e de movimentos similares. Já os expressionistas abstratos, como Jackson Pollock, não construíam a realidade, mas encontravam-na ao acaso. Este tipo de pintura abstrata resulta diametralmente oposta à primeira: enquanto aquela busca uma certa racionalidade e expressa apenas as relações estéticas do quadro, esta é normalmente caótica e expressa o instinto e sensações do artista quando da pintura da obra.

[editar] Técnica

Diversos tipos diferentes de tintas
Toda Pintura é formada por um meio líquido, chamado médium ou aglutinante, que tem o poder de fixar os pigmentos (meio sólido e indivisível) sobre um suporte.
A escolha dos materiais e técnica adequadas está diretamente ligada ao resultado desejado para o trabalho e como se pretende que ele seja entendido. Desta forma, a análise de qualquer obra artística passa pela identificação do suporte e da técnica utilizadas.
O suporte mais comum é a tela (normalmente feita com um tecido tensionado sobre um chassis de madeira), embora durante a Idade Média e o Renascimento o afresco tenha tido mais importância. É possível também usar o papel (embora seja muito pouco adequado à maior parte das tintas).
Quanto aos materiais, a escolha é mais demorada e, normalmente, envolve uma preferência pessoal do pintor e sua disponibilidade. O papel é suporte comum para a aquarela e o guache, e eventualmente para a tinta acrílica.
As técnicas mais conhecidas são: a pintura a óleo, a tinta acrílica, o guache, a aquarela, a caseína, a resina alquídica, o afresco, a encáustica e a têmpera de ovo. É também possível lidar com pastéis e crayons, embora estes materiais estejam mais identificados com o desenho.

Géneros

Autorretrato


Vigée-Lebrun - Auto-retrato.
Autorretrato (AO 1990: autorretrato), muitas vezes é definido em História da Arte, como um retrato (imagem, representação), que o artista faz de si mesmo, independente do suporte escolhido. Reconhece-se, em geral, que a partir da renascença italiana, a produção destes, conscientemente, pelo artista, passou a ser cada vez mais freqüente, chegando à obsessão de um Rembrandt - quase uma centena - ou de uma Vigée-Lebrun.
Mais recentemente, no século XX, dificilmente encontra-se artista, renomado ou não, que não tenha procurado produzir o seu. Seja ou não este produto, reconhecido no campo artístico como inserido nesta categoria.
É comum encontrar-se em textos referentes à autorretratística, a afirmação de que a produção de autorretratos é presente na antigüidade clássica. Cita-se constantemente o escultor Fídias, do século V a.C., o qual teria deixado no Partenon, em Atenas, sua imagem esculpida; antes, no Antigo Império Egípcio, um certo Ni-ankh-Phtah, teria deixado sua fisionomia gravada em monumento; ou ainda, considera-se eventualmente, que em culturas pré-literárias já havia quem os produzisse. O mesmo é dito a propósito do período medieval, época na qual procuram-se autorretratos (e alguns afirmam encontrar) em manuscritos destinados aos mais variados propósitos: em iluminuras religiosas, principalmente.
Os estudos exclusivamente versando sobre autorretratos e a atenção a eles dispensados, entretanto, só têm início no século XX: década de 1920, especificamente. Trabalhos mais rigorosos e aprofundados só aparecerão na década de 1950, mas, neste período, as peculiaridades do fazer artístico e o pensamento sobre ele esfacelam as noções do que seria um auto-retrato e o seu enquadramento como gênero artístico advindas dos séculos anteriores. Como entender e classificar um "auto-retrato" de Mattia Moreni ou de Keith Haring?
Na pintura brasileira, Eliseu Visconti certamente foi um dos artistas que mais se autorretrataram. Estima-se que tenha executado cerca de quarenta autorretratos, representativos das diversas fases de sua produtiva carreira artística.


Ícone




Nossa Senhora com o Menino Jesus, ícone da Rússia.
Ícone, termo derivado do grego εἰκών, (eikon, imagem), no campo da arte pictórica religiosa identifica uma representação sacra pintada sobre um painel de madeira.
O ícone é a representação da mensagem cristã descrita por palavras nos Evangelhos. Se trata de uma criação bizantina do século V, quando da oferta de uma representação da Virgem, atribuída pela tradição a São Lucas. Quando da queda de Constantinopla em 1453, foi a população dos Bálcãs que contribuiu para difundir e incrementar a produção desta representação sacra, sendo na Rússia o local onde assume um significado particular e de grande importância. O simbolismo e a tradição não englobam somente o aspecto pictórico, mas também aquele relativo à preparação espiritual e aos materiais utilizados.
O maior pintor russo de ícones foi Andrei Rublev.

Características gerais

Nossa Senhora das Neves.
O ícone era pintado sobre um painel de madeira, geralmente larice ou abeto. Sobre a superfície aplainada era feito o desenho e começava-se a pintura pela aplicação do dourado, geralmente nas bordas, detalhes das roupas, fundo e resplendores ou coroas. Então se pintavam as roupas, construções e a paisagem de fundo. A última etapa era a aplicação do branco puro na face e mãos. O efeito tridimensional era alcaado misturando ocre ao branco e aplicando essa tinta mais escura nas maçãs do rosto, nariz e testa. Uma fina camada de verniz avermelhado dava o sutil acabamento final a lábios, face e ponta do nariz. Um verniz marrom era usado no cabelo, barbas e detalhes dos olhos.
A produção de ícones religiosos era considerada uma arte nobre, que necessitava grande preparação técnica e espiritual. O pintor precisava se purificar de corpo e alma para conseguir a perfeição, achava-se que o divino operava pela mão do pintor, então era inoportuno assinar a obra.

O simbolismo das cores e letras

Como na maioria das representações sacras, a cor no ícone assume uma importância fundamental para expressar a intenção do pintor. O azul é a cor da transcendência, mistério divino. O vermelho, sem dúvida a cor mais viva presente nos ícones, é a cor do humano e do sangue dos mártires. O verde é usado como símbolo da natureza, da fertilidade e da abundância. O marrom simboliza o terrestre, o humilde e pobre.branco é a harmonia, a paz, a cor do divino que representa a luz que se avizinha.e o preto, decepção e tristeza.
Muitos ícones trazem a inscrição ICXC, forma grega abreviada de Cristo. Também Ø O N, significando ‘’aquele que é’’, aparece nas auréolas. Maria é frequentemente identificada com MP OU, madre partena.
A compreensão do significado do ícone pode ser difícil para a ótica da cultura ocidental. Como a pintura impressionista e a arte abstrata, são representações de emoções, de características que não podem ser estabelecidas pelo cânone. Para um artista deste gênero, a luz é uma manifestação divina, não existe o meio tom. Daí a abundancia do dourado: a luz é divina.

História

Após a legalização do cristianismo pelo imperador Constantino e sua posterior adoção como religião oficial do império por Teodósio I, a arte cristã começou a mudar, não somente em qualidade e sofisticação, como também em natureza, pelo fato dos cristãos estarem livres pela primeira vez para exprimir sua fé sem as restrições judaicas dos primeiros tempos ou das religiões pagãs do império, que os perseguiram. Pinturas de mártires e seus feitos começaram a aparecer, e a habilidade de imitar a vida causou efeitos duradouros nos novos senhores da fé imperial. É desssa época a primeira representação mencionada da mãe de Jesus, em cerca de 460, quando a esposa de Teodósio II enviou uma imagem da Mãe de Deus de Jerusalém, supostamente pintada por São Lucas.
São Miguel, Museu Cristão e Bizantino, Atenas.
Os ícones mais antigos, como os preservados no Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, são de aparência realista, em contraste com a estilização posterior.

Período iconoclasta e posterior restauração

No século VIII, as autoridades do Império Bizantino mudaram totalmente o uso dos ícones, e uma proibição pelo imperador Leão III e seu filho Constantino V durou muitos anos, o chamado período iconoclasta, até ser revogada por um concílio e ser restaurado pela Imperatriz Teodora. Restaurou-se e ampliou a veneração.
Não existem muitos representantes da iconografia de Constantinopla, pelas destruições sistemáticas, sejam pelos iconoclastas, pelas cruzadas ou pelos muçulmanos que tomaram a cidade. Mas não restam duvidas que foi a partir do século XII que o culto e a produção de ícones se tornou regra no império, recebendo os melhores e mais ricos materiais e sendo introduzidos nas praticas eclesiásticas. O estilo se tornou severo, hierárquico e distante.

Após a queda de Constantinopla

Ao fim do Império Bizantino em 1453, fugindo da invasão muçulmana, a tradição das pinturas foi levada para as regiões previamente influenciadas por Constantinopla: Veneza no ocidente, os Bálcãs e a Rússia ao norte e os restos da cultura que falava grego, principalmente Creta no Mediterrâneo.
Em Veneza, onde se fundou uma Escola de São Lucas, um tipo de guilda de pintores de influência bizantina, existem referências a encomendas de pinturas no modelo bizantino, e no restante da Itália, pronta para o apogeu do Renascimento, essa influência foi logo superada por Tiziano, Leonardo, Mantegna e outros mestres que levaram a pintura a outro patamar.
Creta especializou-se na pintura de painéis, facilmente transportáveis, dentro da iconografia da igreja ortodoxa. Desenvolveram habilidade em vários estilos, para agradar a vários patrões, e mantiveram a atividade até ceder aos turcos.
Mas foi com certeza na Rússia que o ícone se tornou um objeto de importância ímpar, venerado em igrejas, mosteiros e residências, que costumavam ter vários ícones numa parede ou canto, chamado ‘’krasny ugol’’. Existe um rico e elaborado simbolismo religioso associado aos ícones. Nas igrejas russas, a nave é separada do sanctus por uma parede de ícones chamada ikonostas.
A confecção e o uso de ícones entrou na Rússia por Kiev, a seguir à sua conversão ao cristianismo ortodoxo em 988. Como regra geral, estes ícones seguem estritos modelos e fórmulas consagrados pelo uso, alguns originados em Constantinopla. Com o passar do tempo, os russos alargaram o vocabulário de tipos e estilos.

Natureza-morta


Natureza-morta é um gênero da pintura e fotografia em que se representa seres inanimados, como frutas, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal, porcelanas, dentre outros objetos.
Natureza morta com maçãs (1890), Paul Cézanne, (óleo sobre tela, 35.2 x 46.2 cm) Museu Hermitage, São Petersburgo.
O termo natureza-morta se refere à arte de pintar, desenhar, fotografar composições deste gênero. Na arte contemporânea é frequente utilizar ainda outros suportes como a escultura, instalação ou video-arte destas representações de objetos inanimados, como referências à história da arte.

História

Esse gênero de representação surgiu da Grécia antiga, e também se fez presente em afrescos encontrados nas ruínas de Pompéia. Foi depois condenada por teólogos católicos durante a Idade Média. A denominação Natureza morta, conforme o alemão Norbert Schneider[1], surgiu na Holanda no século XVII, nos inventários de obras de arte. A expresão competiu durante algum tempo com natureza imóvel e com representação de objetos imóveis no século XVIII.[2]

Paisagem



Exemplo de paisagem natural.
Considera-se paisagem a imagem resultante da síntese de todos os elementos presentes em determinado local (uma definição tradicional da paisagem é a de um espaço territorial abrangido pelo olhar). A paisagem é tudo o que nós vemos,o que nossa visão alcaa,é paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível,aquilo que a vista abarca. (É formada não apenas de volumes mas também de cores,movimentos,odores,sons etc.Sendo assim a paisagem não é espaço,pois se tirarmos a paisagem de um determinado lugar,o espaço não deixará de existir.)
Numa outra definição, pode-se dizer que Paisagem, é um sistema complexo e dinâmico, onde diferentes fatores naturais e culturais interagem e evoluem em conjunto. Determina e é determinada pela ecologia, fatores culturais, emotivo-sensoriais e socio-econômicos.
Devido a isto, o termo é normalmente usado para se referir às visuais e perspectivas existentes em cada ambiente, sendo inclusive uma categoria da pintura.

Pintura de gênero


Senhora escrevendo uma carta com a criada, Vermeer, 1670, Dublin, National Gallery of Ireland.
A pintura de gênero (ou género, em Portugal) desenvolveu-se a meio do florescimento do Barroco na Europa Católica (século XVII) nos Países Baixos, sobretudo nos Países Baixos do Norte (a porção que hoje corresponde à Holanda). Trata-se de um estilo sóbrio, realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, temas da vida diária como homens dedicados ao seu ofício, mulheres cuidando dos afazeres domésticos, ou até mesmo paisagens. Nasce então a pintura de genre (ou petit genre) como uma resposta nacionalista, glorificadora da cultura neerlandesa, ao processo de libertação dos Países Baixos da dominação espanhola.

História

As dezassete Províncias dos Países Baixos pertenciam, a a metade do século XVI, ao império espanhol, sob reinado do Rei de Espanha e Imperador Sagrado de Roma, Carlos V. Em 1556, ele abdica a favor de seu filho Filipe II, que estava mais interessado no lado espanhol do Império.
Durante o século XV, os Países Baixos tornaram-se uma região próspera e empreendedora (entrepreneurial) do Império dos Habsburgos 2. Carlos V e Filipe II começaram a cobrar taxas aos neerlandeses, quando precisavam arrecadar fundos para sustentar as investidas militares, levando a uma difundida visão (por parte dos neerlandeses) da Espanha como um explorador no poder. Antes da batalha de Lepanto (1571), os Habsburgs taxaram os neerlandeses para financiar a guerra contra os Turcos. Após Lepanto, Filipe II usou os neerlandeses para financiar novas guerras no Atlântico. Os inimigos da coroa espanhola eram, muitas vezes, parceiros comerciais dos neerlandeses. Os comerciantes neerlandeses viam-se então ameaçados pelas ações de Filipe II.
O Império dos Habsburgs impunha ao povo um catolicismo que possuía cunho político, o que fazia crescer a aversão dos neerlandeses a Filipe II. Os movimentos calvinistas enfatizavam virtudes como a modéstia, a clareza, a limpeza, a frugalidade e o trabalho duro, satisfazendo assim as espectativas dos neerlandeses que buscavam os seus direitos, liberdade e tolerância religiosa.
As idéias protestantes e calvinistas que circundavam representavam uma ameaça ao Império Espanhol, e cada vez mais os Países Baixos se tornavam predominantemente calvinistas. No dia da Assunção da Virgem, em 1566, um pequeno incidente do lado de fora da catedral de Antuérpia deu início a um motim massivo de calvinistas, que invadiram as igrejas para destruir estátuas e imagens de santos católicos, que eles julgavam como heresias. A desordem continuou e, como reação, Filipe II enviou Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, duque de Alba (mais conhecido entre os protestantes neerlandeses como duque de ferro), para reprimir a rebelião.
Em 1568, Guilherme I de Orange, conhecido como Guilherme o taciturno, stadtholder das províncias da Holanda, Zelândia e Utrecht, tentou retirar o impopular Alva das ruas de Bruxelas. No dia 23 de Maio de 1568 tem-se início a batalha de Heiligerlee, a que é atribuída o início da Revolta neerlandesa contra os espanhóis, mais conhecida como a Guerra dos 80 Anos.
As províncias reformistas do norte declaram-se independentes, em 1579, e formam a União de Utrecht, que é tida como o início da Holanda moderna. Mas, apenas em 1648, a Espanha finalmente reconhece a independência dos neerlandeses. A liberdade política atingida acaba incitando outras áreas, através da abertura a novas idéias culturais e científicas.
O período do século XVII é conhecido como Era de Ouro da Holanda, no qual a Holanda era aclamada mundialmente na área do comércio, da ciência e das artes. Durante grande parte do século XVII, os neerlandeses, tradicionalmente bons marinheiros e fazedores de mapas hábeis e meticulosos, dominaram o mercado mundial, uma posição que, até então, era ocupada pelos portugueses e espanhóis, e mais tarde seria perdida para os ingleses, após uma longa competição que culminaria em diversas guerras (em sua maioria navais). Em 1602, foi fundada a Companhia das Índias Orientais Holandesa (Verenigde Oostindische Compagnie), que manteria o monopólio no comércio com a Ásia por dois séculos e iria se tornar a maior companhia comercial do mundo, no século XVII. Em 1609, foi fundado o banco de Amsterdam, um século antes da contra-parte inglesa.

[editar] A Pintura Neerlandesa

O século XVII foi o grande século da pintura neerlandesa. De entre os diversos artistas do período os que mais se destacaram foram: Rembrandt, Willem Kalf, Adriaen van Ostade, Gerard Terborch, Albert Cuyp, Jakob van Ruisdael, Jan Steen, Pieter de Hooch, Vermeer, Willem van de Velde e Meindert Hobbema. Apesar da qualidade e abundância da arte produzida neste século, houve um grande declínio com a entrada do século XVIII e se estendeu até o século XIX, sendo revertida com a chegada do gênio impressionista, Vincent van Gogh, no final do século XIX, e as pinturas abstratas de Piet Mondrian no século XX.
Antes do surgimento da Holanda como uma nação, existia pouca distinção entra a arte dos Países Baixos do Norte e o Sul (arte flamenga). Durante a Idade Média a arte neerlandesa foi dominada pela influência de seus vizinhos mais fortes, Alemanha e Fraa. Os artistas do século XV eram patronados e recebiam o suporte dos duques da Borgonha, cuja corte residia em Dijon. A arte era então voltada a motivos religiosos, sendo que vários dos artistas produziam peças para altares e outras pinturas religiosas no estilo realista.
A Renassença italiana começou a influenciar os Países Baixos do Norte no início do século XVI e se torna evidente nos trabalhos de Jan Mostaert (1475 - 1555/56) e Cornelis Engelbrechtsen (1468 - 1533). Jan van Scorel (1495 - 1562) foi o primeiro artista a viajar constantemente à Itália e assimilou com sucesso alguns elementos italianos ao seu estilo. Dentre os seus pupilos encontra-se Maerten van Heemskerck (1498 - 1574), um dos maiores representantes do Maneirismo, que tornou-se o estilo predominante na Holanda do século XVI. O Maneirismo copia o estilo das pinturas italianas, enquanto tenta deliberadamente quebrar com as regras clássicas. Buscava atingir a discordância em oposição à harmonia, e tentava criar novos efeitos nas pinturas. Haarlem e Utrecht tornaram-se os maiores centros de pintura maneirista, nos Países Baixos do Norte.
A luta pela independência e a exaltação nacionalista contribuirão fortemente para construir a natureza da arte neerlandesa, no século XVII. Os temas religiosos, históricos ou mitológicos não tinham mais apelo algum para os protestantes neerlandeses. Buscavam agora temas que exprimissem o orgulho pela nação. Esta auto-congratulação expressou-se através das paisagens, vistas das cidades, pinturas navais (a Holanda torna-se a potência naval do século XVII), e pinturas que glorificam a sua cultura burguesa, tais como retratos, pinturas de gênero e naturezas mortas. A Holanda não sofria influências estrangeiras, o que significa, que a arte que se desenvolveu foi original tanto nos temas quanto no estilo. A arte deixou de ser exclusividade dos mecenas, nobres ou religiosos, e passou a ser artigo da classe média em expansão. As pinturas eram raramente comissionadas, em sua grande parte eram vendidas assim como qualquer outra mercadoria.

Características

As pinturas de gênero neerlandesas, do século XVII, caracterizam-se pela riqueza em detalhes, precisão e apuro técnico, numa tentativa de representar tudo aquilo que o olho humano é capaz de captar, de tal forma a dar à imagem um apecto semelhante à vida. Em meio a estas mudaas do ponto de vista trazidas pelo processo de independência, surge a idéia de Kepler de definição da pintura, tomando por base a definição do olho, como formativa da imagem retiniana não-linear. Define o olho humano como um produtor mecânico de pinturas, desta forma, atrela o processo de pintar ao processo de ver, cria-se uma dialética entre a natureza e a arte, o que caracteriza a pintura do norte holandês.
Fora das esferas de influência dos grandes centros, desenvolve-se na Holanda uma pintura que se distancia da exuberância barroca, dos temas nobres e dos padrões de estética que orientam a arte desenvolvida na Itália, por exemplo. A busca pela representação do ambiente em que vive o povo holandês é constante. Os artistas se preocupam em representar, com o máximo de realismo, a perspectiva, as cores vivas dos objetos e a iluminação (ou falta da mesmo) nos ambientes. Para tanto, o artista faz uso de seu apuro técnico e, algumas vezes, de ferramentas, como a câmera obscura, que foi utilizada exaustivamente por Vermeer.
Surge nessa época o questionamento: estava sendo produzido arte, ou uma mera representação da realidade? O mesmo problema suscitado pela fotografia, que não se trata de um conflito entre arte e natureza, mas entre os diferentes modos de produção pictórica. Como o ver, o conhecer e o pintar se interagem levando à formação de pinturas mentais ou visuais? E.H. Gombrich tentou fundamentar a representação pictórica ocidental na natureza da percepção humana. Mas não existe, provavelmente, nenhum artista que tenha meditado tão contínua e profundamente acerca destas questões, quanto o fez Leonardo da Vinci.
Cquote1.svg Quem quer que perca a vista, perde a bela visão do mundo e é como uma pessoa encerrada viva num túmulo, onde possa movimentar-se e viver. Ora, já notaste que o olho abarca as belezas de todo o mundo? Ele é o senhor da astronomia, faz a cosmografia, aconselha e corrige todas as artes humanas, leva os homens a diferentes partes do mundo, é o príncipe da matemática, suas ciências são exatíssimas, ele mediu as alturas e as dimensões das estrelas, descobriu os elementos e suas localizações. Previu acontecimentos futuros pela observação do curso das estrelas, criou a arquitetura, a perspectiva e a divina pintura. Cquote2.svg
Leonardo da Vinci, Trattato della Pittura
Cquote1.svg A mente do pintor deve ser como um espelho que se transforma na cor da coisa que lhe serve de objeto e é preenchido com tantas lembraas quantas são as coisas colocadas diante dele. Assim, pintor, sabe que não pode ser bom se não fores um mestre versátil na representação, por via de tua arte, de todos os tipos de forma que a natureza produz – que não saberás o que fazer, caso não as vejas nem as representes em tua mente. Cquote2.svg
Leonardo da Vinci, Trattato della Pittura
Cquote1.svg O argumento aqui compõem-se de três partes: primeiro, a mente não é apenas como um espelho mas, colorida pelos objetos que ela reflete, é realmente transformada num espelho; segundo, a imagem assim produzida pela natureza é não-seletiva – cada forma produzida pela natureza é espelhada, e por isso o homem não tem nenhum privilégio; finalmente, em sua frase conclusiva, Leonardo distingue claramente entre a representação espelhada na mente e a visão do próprio mundo. Nessa concepção de pintura, o espelho é o senhor ou guia, e Leonardo nesse espírito, aconselha o artista a confrontar sua arte com a natureza espelhada. (...) Nessa visão, uma pintura revela-se a si mesma para a representação de aparências como a perspectiva atmosférica – o fato perceptivo de que os contornos parecem suavizados, as formas arredondadas a certa distância de nossos olhos – ou o espaço recurvado. Mas, se a pintura toma o lugar do olho, então o observador não está em parte alguma. Embora fascinado pelas aparências, Leonardo teme entregar-se a tais exigências de absorção total e receia o sacrifício das escolhas humanas racionais que essa noção da pintura supões.  


Retrato

Rapariga com brinco de pérola, Johannes Vermeer, 1665.
Um retrato é uma pintura, fotografia ou outra representação artística de uma pessoa. O mais famoso exemplo de um retrato é a La Gioconda de Leonardo da Vinci.
Os fotógrafos aprenderam com os artistas plásticos, a famosa regra dos terços, assim como os cineastas e a televisão.
No retrato clássico, a regra dos terços diz que os olhos da pessoa fotografada devem estar a altura de um terço superior, assim como a linha do horizonte na paisagem. A pessoa não deve ficar de frente e no centro, como se faz quando se tira uma foto para documento. A pessoa deve estar com perfil parcial, costas próxima a uma das margens e frente voltada levemente para o lado maior da foto, tendo os olhos direcionados à objetiva da câmera. Olhos baixos significam depressão e tristeza, olhos altos, indicam altivez e contemplação. 

Arte




Pintura: Mona Lisa, de Da Vinci: uma das pinturas mais conhecidas.
Arte (Latim Ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a actividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte.

Definições

A definição de arte varia de acordo com a época e a cultura. Pode ser separada ou não em arte rupestre, como é entendida hoje na civilização ocidental, do artesanato, da ciência, da religião e da técnica no sentido tecnológico.
Assim, entre os povos ditos primitivos, a arte, a religião e a ciência estavam juntas na figura do xa, que era artista (músico, ator, poeta, etc.), sacerdote e médico. Originalmente, a arte poderia ser entendida como o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades.
Este era o sentido que os gregos, na época clássica (século V a.C.), entendiam a arte: não existia a palavra arte no sentido que empregamos hoje, e sim "tekné", da qual originou-se a palavra "técnica" nas línguas neo-latinas. Para eles, havia a arte, ou técnica, de se fazer esculturas, pinturas, sapatos ou navios. Neste sentido, é a acepção ainda hoje usada no termo artes marciais.
No sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividade artística ou o produto da atividade artística. Tradicionalmente, o termo arte foi utilizado para se referir a qualquer perícia ou maestria, um conceito que terminou durante o período romântico, quando arte passou a ser visto como "uma faculdade especial da mente humana para ser classificada no meio da religião e da ciência".
A arte existe desde que há indícios do ser humano na Terra. Ao longo do tempo, a função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para decorar o dia-a-dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro de um só ser (como pode ser visto na literatura) e para ajudar a explorar o mundo e o próprio homem. Estilo é a forma como a obra artística se mostra, enquanto que Estética é o ramo da Filosofia que explora a arte como fundamento.
Uma obra artística só se torna conhecida quando algo a faz ficar diante de um dos sentidos do ser humano. Os avanços tecnológicos contribuem de uma forma colossal para criar acessibilidade entre a pessoa que deseja desfrutar da arte e a própria arte. A pessoa e a obra se unem então, por diversos meios, como os rádios (para a música), os museus (para pinturas, esculturas e manuscritos), e a televisão, que talvez seja, entre esses itens citados, o que mais capacidade tem para levar a obra artística a um número grande de interessados, por utilizar diversos sentidos (visão, audição) e por utilizar também satélite. A própria Internet é fonte de transmissão entre a obra e o interessado, com sites (que distribuem E-books e por softwares especializados em conectar o computador do usuário a uma rede com diversos outros computadores.
Entretanto, exploradores, comerciantes, vendedores e artistas de público (palhaços, malabaristas, ator, etc.) também costumam apresentar ao público as obras, nos mais diversos lugares, de acordo com suas funções. A arqueologia transmite ideias de outras culturas; a fotografia é uma forma de arte e está acessível por todos os cantos do mundo; e também por almanaques, enciclopédias e volumes em geral é possível conhecer a arte e sua história. A arte está por todos os cantos, pois não se restringe apenas em uma escultura ou pintura, mas também em música, cinema e daa.
O ser que faz arte é definido como o artista. O artista faz arte segundo seus sentimentos, suas vontades, seu conhecimento, suas ideias, sua criatividade e sua imaginação, o que deixa claro que cada obra de arte é uma forma de interpretação da vida.
A inspiração seria o estado de consciência que o artista atinge, no qual vê a percepção, a razão e emoção encontram-se combinados de forma parte para realizar suas melhores obras. Seria o insight de algumas teorias da psicologia.
Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas.
Arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno.
Arte pode ser sinônimo de beleza, ou de uma beleza transcendente. Dessa forma, o termo passa a ter um caráter subjetivo, qualquer coisa pode ser chamada de arte, desde que alguém a considere assim, não precisando ser limitada à produção feita por um artista. Como foi mencionado, a tendência é considerar o termo arte apenas relacionado, diretamente, à produção das artes plásticas.
Os historiadores de arte buscam determinar os períodos que empregam certo estilo estético, denominando-os por 'movimentos artísticos'. A arte registra as ideias e os ideais das culturas e etnias, sendo assim, importante para a compreensão da história do Homem e do mundo.
Formas artísticas podem extrapolar a realidade, exagerar coisas aceitas ou simplesmente criar novas formas de se observar a realidade.
Em algumas sociedades, as pessoas consideram que a arte pertence à pessoa que a criou. Geralmente consideram que o artista usou o seu talento intrínseco na sua criação. Essa visão (geralmente da maior parte da cultura ocidental) reza que um trabalho artístico é propriedade do artista. Outra maneira de se pensar sobre talento é como se fosse um dom individual do artista. Os povos judeus, cristãos e muçulmanos possuem esta visão sobre a arte.
Outras sociedades consideram que o trabalho artístico pertence à comunidade. O pensamento é levado de acordo com a convicção de que a comunidade deu ao artista o capital social para o seu trabalho. Nessa visão, a sociedade é um coletivo que produz a arte através do artista, que apesar de não possuir a propriedade da arte, é visto com importância para sua concepção. Existem contradições quanto à honra ou ao gosto pela arte, indicando assim o tipo de moral que a sociedade exerce.
Também pode ser definida, mais genericamente, como o campo do conhecimento humano relacionado à criação e crítica de obras que evocam a vivência e interpretação sensorial, emocional e intelectual da vida em todos os seus aspectos.A verdadeira essencia da arte e a do artista poder transformar a realidade de acordo com seus ideais e pensamentos.

Utilidade

Música: um organista.
Uma das características da arte é a dificuldade que se tem em conferir-lhe utilidade. Muitas vezes esta dificuldade em encontrar utilidade para a arte mascara preconceitos contra a arte e os artistas.
O que deve ser lembrado é que a arte não possui utilidade, no sentido pragmatista e imediatista de servir para um fim além dele mesmo. Assim, um quadro não "serve" para outra coisa, como um desenho técnico, como uma planta de engenharia, por exemplo, serve para que se construa uma máquina. Mas isso não quer dizer que a arte não tenha uma função.
A arte possui a função transcendente, ou seja, manchas de tinta sobre uma tela ou palavras escritas sobre um papel simbolizam estados de consciência humana, abrangendo percepção, emoção e razão (segundo Charles S. Peirce, fundador da semiótica). Essa seria a principal função da arte.
A arte também é usada por terapeutas, psicoterapeutas e psicólogos clínicos como terapia. Nise da Silveira foi uma importante psiquiatra brasileira, aluna de Carl Jung, que utilizou com sucesso em seus pacientes, a partir de 1944, a arte a partir da terapia ocupacional. Graças a este trabalho, fundou o Museu do Inconsciente, em 1952, no Rio de Janeiro.
Paul McCartney, ex-Beatle, diz que a música é capaz de curar. Ele afirmou que em uma de suas visitas a um hospital que realiza tratatamento de autistas, estes respondiam quando se dedilhava algo no violão. Sabe-se que as pessoas vítimas de autismo respondem muito pouco a estímulos externos, de acordo com o grau de autismo.
A arte pode trazer indícios sobre a vida, a História e os costumes de um povo, inclusive dos povos e nações já extintos. Assim, conhecemos várias civilizações por meio de sua arte, como a egípcia, grega antiga e muitas outras. A História da Arte é a disciplina que estuda as manifestações artísticas da humanidade através dos séculos.
Grafite e outros tipos de arte de rua são gráficos e imagens pintadas por spray. São vistos pelo público em paredes de edifícios, em ônibus, trens, pontes e, normalmente sem permissão do governo. Este tipo de arte faz parte de diversas culturas juvenis. Nos EUA, na cultura hip-hop, são comumemente usadas para a expressão de opiniões sobre política, e outras vezes trazem mensagens de paz, de amor e união.
A arte, como qualquer outra manifestação cultural humana, pode ser utilizada para a coesão social, reafirmando valores, ou os criticando, de acordo com a civilização.
Assim, a arte é utilizada como instrumento de moralização, doutrinação política e ideológica, assim como ferramenta na educação em vários campos do conhecimento, desde o ensino básico até o treinamento de funcionários em empresas. Segundo a sistematização de conhecimento artístico e fisiológico sobre o funcionamento do cérebro realizado por Betty Edwards, principalmente a partir de sua obra Desenhando com o lado direito do cérebro, as habilidades artísticas são regidas pelo lado direito do cérebro, e a lógica e outras habilidades ligadas à racionalidade são regidas pelo lado esquerdo. A utilização da arte como ferramenta pedagógica seria uma forma de utilizar os dois lados do cérebro, de forma complementar para um aprendizado mais eficaz.
As obras de arte também podem fazer críticas a uma sociedade. Les Misérables, de Victor Hugo, é um exemplo de obra literária que critica a sociedade francesa do início do século XIX. A obra do pintor espanhol Goya, Os fuzilamentos de 3 de maio é outro exemplo disso.
A interpretação da obra depende do observador. Portanto, inversamente a própria subjetividade da arte demonstra a sua importância no sentido de facilitar a troca e discussão de ideias rivais, ou para prestar um contexto social em que diferentes grupos de pessoas possam reunir e misturar-se.

Formas, gêneros, mídias, e estilos

As artes criativas são muitas vezes divididas em mais categorias específicas, tais como artes decorativas, artes plásticas, artes do espectáculo, ou literatura. Assim, por exemplo, pintura é uma forma de arte visual, e a poesia é uma forma de arte literária.
Uma forma de arte é uma forma específica de expressão artística para tomar, é um termo mais específico do que arte em geral, mas menos específico do gênero.
Alguns exemplos incluem:
As mídias (meios) para uma obra de arte ser construída são as mais diversas. Precisa-se de materiais propícios para ela ser realizada pelo artista. Assim, por exemplo, pedra e bronze são duas mídias capazes de construir uma obra de arte, como, no caso, uma escultura. A música e a poesia usam o som, a pintura usa tintas, telas, cores, óleo.
Detalhe da famosa pintura Mona Lisa, onde Leonardo da Vinci utilizou o sfumato, um tipo de material para dar sensação de forma, volume e profundidade. Repare os lábios e as bochechas.
Um estilo de arte digital, onde o material usado é completamente diferente do material que se usa para uma tela.
Um gênero artístico é o conjunto de convenções e estilos dentro de uma forma de arte e mídia. Por exemplo, o Cinema possui uma gama de gêneros: filmes ocidentais, filmes de horror, comédia, romance. É assim também na literatura. Na música, há centenas de gêneros musicais, que variam de região, cultura e etc., e vão desde rock, aMpb. Na pintura, as correntes de artistas (como o Naturalismo), incluem paisagem ou cotidiano (ruas, pessoas em suas atividades diárias, etc.).
As estruturas compositivas de uma obra (arranjo de formas, cores, ritmo, texturas, e linhas) são as estruturas que expressarão as ideias e as emoções que a obra passar, segundo os olhos do espectador. Diante de um quadro, cada espectador terá uma sensação, de acordo com sua disposição, seus conhecimentos e seus gostos.
Imagine-se que você é um crítico de arte cuja missão consiste em comparar os significados que você encontra em uma ampla gama de diferentes trabalhos artísticos. Como você irá executar sua missão? Uma maneira de começar o trabalho é separar, por grupos, que tipo de mídia usa-se em cada trabalho artístico: é um vídeo?, é através do som?, é pela escrita?, e assim por diante. Os materiais de uma arte são tão importantes quanto a arte em si; um exemplo é uma escultura que foi realizada com bronze: ela não tem a mesma estética de uma escultura que fora realizada à pedra, embora a forma seja a mesma. Assim, outro exemplo é uma música que utiliza guitarras: o som desta música não será o mesmo de uma música que apenas utilize piano, embora a melodia continue sendo a mesma. Portanto, sendo um crítico de arte cuja missão é comparar os significados de cada obra artística, há um outro passo interessante: você pode analisar a forma como os materiais em cada obra tornaram-se a arte pronta. O sfumato, na Mona Lisa, deu um toque especial no rosto da figura pintada no quadro. Analisar como cada material é importante para a composição da obra, é uma forma de conhecer mais profundamente a obra.
Mas, no final, você iria concluir que a maioria das obras de arte não são um conjunto de materiais e mídias, e estética. Cada obra de arte é mais que isso, pois os materiais são utilizados de acordo com a técnica de cada artista e, no final, suas interpretações envolveriam também uma discussão sobre ideias e sentimentos que o trabalho artístico quis propor.

Arte: classe e valor

Pormenor da fachada do jardim de Versailles: influência por toda a Europa.
Aspecto de uma das galerias do Hermitage.
A arte é entendida por alguns como um pertence de apenas algumas classes sociais, principalmente das mais ricas. Esta definição exclui a classe inferior, em questão financeira. Nesse contexto, a arte é vista como uma atividade de classe superior associada à riqueza, a capacidade de venda e compra de arte, o lazer e o prazer para desfrutar de uma obra. Por exemplo, o Palácio de Versailles ou o Hermitage, em São Petersburgo, com sua vasta coleção de arte, acumuladas pela realeza da Europa exemplificam esta visão. Coletando tal arte é o de preservar o rico, ou de Governos e instituições.
Entretanto, tem havido um empurrão cultural na outra direção, pelo menos desde 1793, quando o Louvre, que tinha sido um palácio privado dos Reis de Fraa, foi aberta ao público como museu de arte durante a Revolução Francesa. A maioria dos museus públicos modernos e arte programas educacionais para as criaas nas escolas pode ser rastreada até este impulso de mostrar a arte a todos. Nos Estados Unidos, há museus de todos os tipos: dos mais ricos, até os mais públicos, como acontece no Brasil, e em Portugal.
Há tentativas de criar arte que não podem ser compradas pelos ricos, como se fossem objeto de um estatuto. No final dos anos 1960 e 1970 foi justamente isto: criar arte que não podia ser comprada e/ou vendida. "É necessário apresentar algo mais do que meros objectos", disse que o grande artista pós-guerra alemão Joseph Beuys. Este período viu o surgimento de coisas como arte performática, vídeo arte e arte conceitual. A ideia era que, se o trabalho artístico foi um desempenho que iria deixar nada para trás, ou era simplesmente uma ideia, não podia ser comprada e vendida.
Muitas dessas performances de criar obras que são apenas compreendido pela elite, resultaram nas razões pelas quais uma ideia ou vídeo ou um aparente "pedaço de lixo" pode ser considerado arte.

História

Desenho em Lascaux, Fraa: local famoso por sua arte rupestre.
  • O método formalista mais antigo, entende que a obra de arte se dá pelas formas e sua compreensão .
  • O método histórico entende que a obra de arte é um fato histórico, portanto reflexo e ação em um determinado contexto histórico.
  • O 'método sociológico entende a obra de acordo com o estudo da sociedade a qual ela pertence.
  • O método iconográfico entende a obra pelos ícones e símbolos que ela carrega.
Se formos analisar a arte ao longo da história, podemos começar pela Arte da Pré-História, que é o período onde se mostram as primeiras demonstrações de arte que se tem notícia na história humana. Retratavam animais, pessoas, e até sinais. Havia cenas de caçadas, de espécies extintas, e em diferentes regiões. Apesar do desenvolvimentos primitivo, podem-se distinguir diferentes estilos, como pontilhado (o contorno das figuras formado por pontos espaçados) ou de contorno contínuo (com uma linha contínua marcando o contorno das figuras). Apesar de serem vistas como mal-feitas e não-civilizadas, as figuras podem ser consideradas um exemplo de sofisticação e inovação para os recursos na época. Não existem muitos exemplos de arte-rupestre preservada, mas com certeza o mais famoso deles é o das cavernas de Lascaux, na Fraa.
Se pularmos um bocado, chegaremos à Arte do Antigo Egipto, o palco para uma das mais interessantes descobertas do ser humano. A arte egípcia, à semelhaa da arte grega, apreciava muito as cores. As estátuas, o interior dos templos e dos túmulos eram profusamente coloridos. Porém, a passagem do tempo fez com que se perdessem as cores originais que cobriam as superfícies dos objectos e das estruturas.
.
Os criadores do legado egípcio chegam aos nossos dias anónimos, sendo que só em poucos casos se conhece efectivamente o nome do artista. Tão pouco se sabe sobre o seu carácter social e pessoal, que se crê talvez nem ter existido tal conceito no grupo artístico de então. Por regra, o artista egípcio não tem um sentido de individualidade da sua obra, ele efectua um trabalho consoante uma encomenda e requisições específicas e raramente assina o trabalho final. Também as limitações de criatividade impostas pelas normas estéticas, e as exigências funcionais de determinado empreendimento, reduzem o seu campo de actuação individual e, juntamente com o facto de ser considerado um executor da vontade divina, fazem do artista um elemento de um grupo anónimo que leva a cabo algo que o transcende.
As grandes tradições na arte têm um fundamento na arte de uma das grandes civilizações antigas: Antigo Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Índia,China, Grécia Antiga, Roma, ou Arábia (antigo Iêmen e Omã). Cada um destes centros de início civilização desenvolveu um estilo único e característico de fazer arte. Dada a dimensão e duração dessas civilizações, mais das suas obras de arte têm sobrevivido e mais da sua influência foi transmitida a outras culturas e tempos mais tarde. O período da arte grega viu uma veneração da forma física humana eo desenvolvimento de competências equivalentes para mostrar musculatura, pose, beleza e anatomia em geral.
Retrato de Celso Lagar, uma pintura do Expressionismo, pintada por Amedeo Modigliani.
A arte gótica surgiu tempos depois, já na Arte pré-românica. Os monumentos construídos nessa época marcaram todo um modo especial de criar arquitetura e desenvolveu métodos preciosos e estilos definidos como sombrios e macabros.
A Arte Bizantina e a gótica da Idade Média ocidental, mostraram uma arte que centrou-se na expressão das verdades bíblicas e não na materialidade. Além disto, enfatizou métodos que mostram a glória em mundos celestes, utilizando o uso de ouro em pinturas, ou mosaicos.
A Renascença ocidental deu um retorno à valorização do mundo material, bem como o local de seres humanos, e mesmo essa mudaa paradigmática é refletida nessa arte, o que mostra a corporalidade do corpo humano, bem como a realidade tridimensional da paisagem.
A pop art é completamente caracterizada como algo de humor e muito diferente da arte antiga, pois retrata, de maneira irônica, o que utilizamos nos dias de hoje, só que com outros tamanhos, ambientes e formas.
Os ocidentais do Iluminismo no século 18 faziam representações artísticas de modo físico e racional sobre o Universo, bem como visões de um mundo pós-monarquista, como a pintura que William Blake fez de um Newton divino. Isto reforçou a atenção ao lado emocional e à individualidade dos seres, exemplificados em muitos romances de Goethe. O século 19, em seguida, viu uma série de movimentos artísticos, tais como arte acadêmica, simbolismo, impressionismo, entre outros.
O aumento de interação global durante este tempo fez uma grande influência de outras culturas na arte ocidental, como Pablo Picasso sendo influenciado pela cultura da África. Do mesmo modo, o Ocidente tem tido enorme impacto sobre arte oriental no século XIX e no século XX, com ideias ocidentais originalmente como comunismo e Pós-Modernismo exercendo forte influência sobre estilos artísticos.
O Modernismo baseou-se na ideia de que as formas "tradicionais" das artes plásticas, literatura, design, organização social e da vida cotidiana tornaram-se ultrapassados, e que fazia-se fundamental deixá-los de lado e criar no lugar uma nova cultura. Esta constatação apoiou a ideia de re-examinar cada aspecto da existência, do comércio à filosofia, com o objetivo de achar o que seriam as "marcas antigas" e substituí-las por novas formas, e possivelmente melhores, de se chegar ao "progresso". Em essência, o movimento moderno argumentava que as novas realidades do século XX eram permanentes e iminentes, e que as pessoas deveriam se adaptar as suas visões-de-mundo a fim de aceitar que o que era novo era também bom e belo. No modernismo, surgiu vários estilos, os mais destacados são Expressionismo, Simbolismo, Impressionismo, Realismo, Naturalismo, Cubismo e Futurismo, embora tenham sido desenvolvidos diversos outros.
Atualmente, na Arte Contemporânea (surgida na segunda metade do século XX e que se alonga até os dias atuais), encontramos, entre outros estilos secundários, a Pop Art.

Características

A arte tende a facilitar a compreensão intuitiva, em vez de racional, e normalmente é, conscientemente, criada com esta intenção. As obras de arte são imperceptíveis, escapam de classificação, porque elas podem ser apreciadas por mais de uma interpretação.
Tradicionalmente, os maiores sucessos artísticos demonstram um alto nível de capacidade ou fluência dentro de outras obras, por isso se destacam.

Habilidade

Uma escultura do Antigo Egito: Note que o artista precisou utilizar uma percepção da forma que iria fazer para a obra sair com o resultado de um rosto.
A arte pode utilizar a imagem para comover, emocionar, conscientizar; ou palavras profundas para se apaixonar por um certo poema ou livro. Basicamente, a arte é um ato de expressar nossos sentimentos, pensamentos e observações. Existe um entendimento de que é alcaado com o material, como resultado do tratamento, o que facilita o seu processo de entendimento.
A opinião comum diz que para se fazer uma arte que tenha como resultado uma obra de qualidade, é preciso uma especialização do artista, para ele alcaar um nível de conhecimento sobre a demonstração da capacidade técnica ou de uma originalidade na abordagem estilística. Notamos nas peças de Shakespeare uma profunda análise de psicologia sobre os personagens, como em Hamlet.
As críticas quanto à algumas obras, deve-se muitas vezes, segundo o crítico, à falta de habilidade ou capacidade necessária para a produção do objeto artístico. Habilidade e capacidade necessária para a produção do tal objeto são dois itens completamente importantes. No entanto, é importante definir que nem toda obra de arte vale através da arte. Vemos, como exemplo, a obra My Bed, da artista britânica Tracey Emin. A cama demonstra desorganização. A artista usou pouco ou nenhum reconhecido tradicional de conjunto de competências, embora tenha demonstrado uma nova habilidade (diferente do mais comum, que seria uma cama arrumada).
A montagem dos materiais de uma obra requer técnica e criatividade e também conhecimento. Um exemplo é um dramaturgo ter em mente que o material que usará para criar sua peça de teatro será a palavra e um aprofundamento sobre as personagens, o enredo e etc. Depois disto, basta usar toda sua criatividade e conhecimento para ir moldando o texto da peça.

Estética

A beleza de uma obra torna-a mais destacada quando é comparada às outras. O material usado pelo artista e suas técnicas são o que tornam uma obra de arte bonita, com uma boa aparência. Entretanto, é importante destacar novamente a obra My Bed, de Tracey Emin, onde a cama não possui uma beleza comum, embora apresente uma situação.
A estética é fundamental numa obra de arte. Vemos como exemplo a arquitetura com seus edifícios majestosos, grandes, esbeltos, o que faz com que as pessoas admirem. Assim é também com um bom conto, em questão de literatura, e com uma boa pintura. Como já foi falado, o material usado é o que irá mostrar a beleza da arte.
É importante ter um estudo mais profundo sobre a estética. Conseguimos isso separando quais conceitos formam a estética, a começar pela beleza. A beleza é uma percepção individual caracterizada normalmente pelo que é agradável aos sentidos. Esta percepção depende do contexto e do universo cognitivo do indivíduo que a observa. O belo depende muito da sociedade e de suas crenças. Um exemplo disto é o quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral. Para ela, a figura do quadro era um monstro e para a maioria das pessoas. Mas por quê? Será que por que não corresponde ao padrão de beleza da nossa sociedade? Na época de Leonardo da Vinci, as mulheres eram tidas bonitas quando eram rechonchudas. Exemplo disto é a Mona Lisa.
Outro aspecto da estética é o equilíbrio. O equilíbrio se encontra quando todos os elementos que compõe a imagem estão organizados de tal forma que nada é enfatizado, todos passando uma sensação de equilíbrio visual. O equilíbrio é mais utilizado nas pinturas. O que influencia o equilíbrio são as cores, as imagens, as superfícies, os tamanhos e as posições dos itens presentes na pintura, ou numa outra arte plástica. Reflita sobre um quadro cujo desenho seja um horizonte, o pôr do sol e um lindo mar refletindo a luz alaranjada do sol. No fundo do mar, há um enorme navio, quase ocupando todo o espaço do quadro. Esta figura, o navio, dá ou não dá equilíbrio à pintura como um todo? Se não, o que seria necessário fazer para dar mais equilíbrio? Por qual motivo a figura do navio é enorme?
Harmonia é relacionada à beleza, à proporção e também à ordem. Um exemplo, é a música: todos os ritmos precisam estar bem delineados, bem ordenados para que haja uma harmonia, uma beleza no som. Quanto ao design, podemos definir harmonia como efeito da composição de formas, não de maneira aleatória, mas de modo que contornos e enchimentos sejam bem definidos, variando segundo um grau de importância pré-estabelecido e se relacionando ao esquema geral da organização do objeto. Este objeto pode ser um quadro, um site, enfim, qualquer entidade que esteja sendo composta por partes (engrenagens) menores.
Na escultura e na arquitetura, a forma também é uma das coisas mais importantes. Nas esculturas de Michelangelo, ou nas de Rodin, como, por exemplo, Davi, notamos que é um ser ali esculpido e este ser possui um corpo. Portanto, a forma do corpo precisa ser bem definida, bem adquirida para que se assemelhe a um corpo humano. NO entanto, se o escultor for esculpir um monstro, como exemplo, é preciso haver a mesma coisa, embora ele tenha em mente um corpo totalmente diferente do comum.
O que define uma obra como esteticamente bonita e importante, além dos recursos que fora usado nela e de suas técnicas, é também seu valor, o que veremos a seguir.

Valor

O Pensador, de Rodin: o que a levou ter o valor que tem hoje?.
Uma outra característica da arte é o valor[1]. Esta vem depois de sua realização pelo artista. É quando já está exposta ao público. Aqui, não é discutido especialmente a estética, e sim o valor relacionado a importância da obra, segundo a maioria. Podemos exemplificar esse raciocínio com a seguinte pergunta: por qual motivo o quadro Mona Lisa tem um grande valor? Ou até mesmo: por que as obras de Shakespeare são tão famosas e tidas como as melhores do mundo? E até: por que várias músicas do Beatles são tão prestigiadas?
Para começar, é importante relacionar quais elementos tornam uma obra de arte tão glamurosa. Quanto à Mona Lisa e as peças de Shakespeare, podemos notar algo semelhante: um elemento novo até então. Por exemplo: na Mona Lisa, há o sfumato. Nas peças mais famosas de Shakespeare, há técnicas ímpares para o teatro, como, p. exemplo, em Hamlet: o teatro no teatro. As músicas dos Beatles possuem ritmos e melodias pioneiros. Mas será que é apenas um elemento novo que faz uma obra ficar em destaque?
Além da distribuição e divulgação de uma obra, coisas que contribuem bastante para a sua fama, há também um outro item: a forma como a obra é criada e, assim, como ela sobrevive depois de anos. Este item é mais aplicado na literatura, onde diversos romances permanecem prestigiados mesmo depois de muito tempo escritos, por terem um valor social e emocional ainda muito presente no ser humano, como as peças de Shakespeare.
Além disto tudo, quando uma obra influencia outras por conter coisas novas e quando essa mesma obra possui aspectos que atraiam o espectador por algum motivo (seja motivacional, de reflexão, ou outro), ela então se torna valiosa pelos que gostaram.[2]

Conservação e restauro de pintura

Restauração de um fresco de Masaccio.
O restauro de pintura é, tradicionalmente, considerado uma disciplina afim da arte, razão pela qual a figura do restaurador tem sido comparada à do artista. Historicamente, o restaurador intervinha sobre a obra, acrescentando-lhe parte da sua arte, o que em muitas ocasiões levava à modificação de certas qualidades estéticas ou físicas e assim à perda ou modificação do seu significado.
Actualmente, o conceito geral de restauro alterou-se de forma significativa. A área do restauro abarca também a conservação e, assim, o trabalho do restaurador já não se limita, unicamente à intervenção directa sobre a obra de arte, mas também ao dever de conhecer, avaliar e actuar sobre todos os parâmetros que contribuem para a preservação da obra. O restaurador pode actuar de diferentes maneiras na prevenção das obras dos bens culturais e obras de arte, seja pela conservação preventiva, conservação curativa e o restauro.

Conservação preventiva

Monitora e / ou controla o processo de deterioração no meio ambiente em que se encontra um objeto de valor cultural. Consiste em acções diretas e indirectas dirigidas a adiar ou retardar os fatores responsáveis pela deterioração. Desse modo, objetiva-se a prevenção de danos futuros, criando as condições óptimas à conservação tendo em conta a manipulação, o transporte, armazenamento e exposição de objectos. Considera-se conservação preventiva o treinamento eficaz de todos aqueles que lidam com objetos culturais (como o conhecimento dos princípios básicos da conservação científica), o uso de embalagens adequadas ao armazenamento e ao transporte de uma obra de arte, a correcta iluminação, as condições ambientais adequadas ou apropriadas a cada tipo de matéria-prima.

Conservação curativa

Consiste numa acção directa efectuada sobre o objecto em tratamento, com a intenção de atrasar ou resolver definitivamente qualquer tipo de deterioração sofrida. A intervenção dá-se somente a nível do suporte e não da capa pictórica.

Desenho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O desenho é um suporte artístico ligado à produção de obras bidimensionais, diferindo, porém, da pintura e da gravura. Neste sentido, o desenho é encarado tanto como processo quanto como resultado artístico. No primeiro caso, refere-se ao processo pelo qual uma superfície é marcada aplicando-se sobre ela a pressão de uma ferramenta (em geral, um lápis, caneta ou pincel) e movendo-a, de forma a surgirem pontos, linhas e formas planas. O resultado deste processo (a imagem obtida), portanto, também pode ser chamada de desenho. Desta forma, um desenho manifesta-se essencialmente como uma composição bidimensional formada por linhas, pontos e formas.
A representação do homem vitruviano, como imaginado por Leonardo da Vinci, é um dos desenhos mais conhecidos do mundo
O desenho envolve uma atitude do desenhista (o que poderia ser chamado de desígnio) em relação à realidade: o desenhista pode desejar imitar a sua realidade sensível, transformá-la ou criar uma nova realidade com as características próprias da bidimensionalidade ou, como no caso do desenho de perspectiva, a tridimensionalidade.

Desenho como projeto

O desenho livre nem sempre é um fim em si. O termo é muitas vezes usado para se referir ao projeto ou esboço para um outro fim. Nesse sentido o desenho pode significar a composição ou os elementos estruturais de uma obra. Mais corretamente, isso é denominado bosquejo, debuxo, esboço ou rascunho.
Na língua espanhola existe a distinção entre as palavras diseño (que se refere à disciplina conhecida como design nos países lusófonos, ou ao projeto, de uma forma geral) e dibujo (que se refere ao desenho propriamente dito). Estudos etimológicos de Luis Vidal Negreiros Gomes indicam que também no português existiam essas nuances de significado, no entanto as palavras foram mudando de sentido. Debuxo atualmente significa apenas esboço, bosquejo, ou desenho nos seus estágios iniciais[1][2]. A palavra desenho além do sentido de projeto, ganhou as significações de "qualquer desenho", "qualquer esboço", "desenho (debuxo) no seu estado final". Com o tempo debuxo deixou de significar "qualquer desenho" e significa apenas "esboço", "bosquejo", "rascunho". Desenho mudou de significado (projeto apenas), e englobou vários outros, mas preservou algumas dos sentidos de projeto. Atualmente a língua portuguesa incorporou a palavra design que comporta o sentido de desenho como projeto. A palavra "debuxo" também está sendo usada no sentido de "design" (uma inversão do sentido original).

Desenho, gravura, pintura

Entre os suportes artísticos tradicionais, três deles manifestam-se em duas dimensões: o próprio desenho, a gravura e a pintura. Embora o resultado formal de cada um deles seja bastante diferente (embora o desenho e a gravura sejam similares), a grande diferença entre eles se encontra na técnica envolvida.
A gravura difere do desenho na medida em que ela é produzida pensando-se na sua impressão e reprodução. Seus meios mais comuns de confecção são a xilogravura (em que a matriz é feita de madeira), a litogravura (cuja matriz é composta de algum tipo de pedra), a gravura propriamente dita (cuja matriz é metálica) e a Serigrafia (cuja matriz é uma tela) uma técnica de imprimir sobre tecido. Existe ainda uma técnica chamada monotipia, mais próxima da pintura, na qual se obtem apenas uma impressão.

Gesto

Um desenho composto basicamente de linhas, com algumas texturas e sombreados
A composição pictórica expressa pelo desenho pode representar situações e realidades diversas: aquilo que o artista vê quando desenha, uma cena lembrada ou imaginada, uma realidade abstrata ou, no caso do desenho automático (proposto pelos surrealistas), pode vir a surgir com o movimento livre da mão do artista através do papel (ou de outra superfície). No processo da grafomania entóptica[carecde fontes], em que os pontos são feitos nos locais das impurezas ou de variações de cor em uma folha de papel em branco, e as linhas são feitas então entre os pontos, superficialmente falando, o tema do desenho é o próprio papel.[carecde fontes]
Estas várias atitudes do desenhista em relação ao resultado do desenho manifestam-se através da técnica escolhida por ele, evidenciada pelo seu gesto. O gesto está profundamente relacionado à natureza dos movimentos da mão humana e à forma como a visão (ou o raciocínio visual, de uma forma geral) os influencia. Algumas técnicas, quando de uma abordagem figurativista do desenho, incluem:

Linha pura

Nenhum comentário:

Postar um comentário